José Gomes Ferreira é o
único autor que tem 3 livros publicados na Colecção Poetas de Hoje da
Portugália Editora.
Em 20 de Março de 2025 apresentámos o Poema Autografado da Poesia I , no dia 21 de Março de 2026 apresentámos o da Poesia II e hoje apresentamos o da Poesia III.
Na Poesia III
encontro os poemas do Zé Gomes de que mais gosto.
Temos por lá «Eléctrico», poemas de 1943 – 1944 –
1945, «Província» 1945 e «Café».
Zé Gomes o poeta de andar a falar sozinho pelas ruas
de Lisboa, pontapeando pedras e José Manuel Mendes fala da mágoa de não o
considerarem neo-realista:
«O Mário Dionísio, que tinha sido e se manteve, até ao fim da vida, uma referência do movimento em apreço, um crítico finíssimo e escrupuloso, tinha as suas reservas, expressas em textos bastante conhecidos que não vale a pena aqui reproduzir. Mas aquela mágoa, uma mágoa muito mais encenada do que real, que o Zé Gomes alardeava, por não ter sido considerado neo-realista numa época de neo-realismo, mágoa do avesso, uma espécie de enunciação saboreada de singularidade, apenas sublinhava o quanto a sua obra era contaminada não só pelas referências finisseculares a que aludi, também por uma tangência surrealizante, no Eléctrico notória, entre experimentações e ousadias de vária índole.»
E
é este o Poema Autografado de José Gomes Ferreira:
Dia de chuva na cidade
triste como não haver
liberdade.
Dia infeliz
com varões de água
a fecharem o mundo numa
prisão.
E alguém a meu lado com
voz múrmura que diz:
“está a cair pao.”
Ah! que vontade de
gritar àquela criança seminua
sem pão, nem sol de
roupa:
“Eh pequena! Deita-te
na rua
e abre a boca…”
(Dia em que urdo
este sonho absurdo.)
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