Tinha 47 anos, quando morreu a 1 de Abril de 1996.
Por isso, a denominada morte de Mário Viegas, é uma redonda
mentira.
Porque ele ainda anda por aí, a beber gin-tónico, a sair
do «João Sebastião Bar», cigarro ao canto da boca, abraçado a um rapaz.
No meio de um gin, dizia poemas e palavras.
Como estas:
« O Humor é a coisa mais séria do mundo.
Esta frase já toda
agente conhece… mas tem muita graça! E a mais triste e solitária do Mundo, digo
eu. É muito triste e angustiante fazer rir.»
Ou
estas:
«Quem não aguenta o
silêncio não aguenta a vida».
No
tal dia da mentirosa morte de Mário Viegas, José Saramago estava em Lanzarote,
e escreveu:
«Mário Viegas morreu. Era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Não me refiro à implacável doença que o matou, mas um sentimento dramático da existência que só os distraídos e superficiais não eram capazes de perceber, embora ele o deixasse subir à tona da expressão às vezes angustiada do olhar e ao ricto sempre sardónico e amargão da boca. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto.»

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