quarta-feira, 8 de abril de 2026

RETRATOS


Tinha 47 anos, quando morreu a 1 de Abril de 1996.

Por isso, a denominada morte de Mário Viegas, é uma redonda mentira.

Porque ele ainda anda por aí, a beber gin-tónico, a sair do «João Sebastião Bar», cigarro ao canto da boca, abraçado a um rapaz.

No meio de um gin, dizia poemas e palavras.

 Como estas:

« O Humor é a coisa mais séria do mundo.

Esta frase já toda agente conhece… mas tem muita graça! E a mais triste e solitária do Mundo, digo eu. É muito triste e angustiante fazer rir.»

Ou estas:

«Quem não aguenta o silêncio não aguenta a vida».

No tal dia da mentirosa morte de Mário Viegas, José Saramago estava em Lanzarote, e escreveu:

«Mário Viegas morreu. Era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Não me refiro à implacável doença que o matou, mas um sentimento dramático da existência que só os distraídos e superficiais não eram capazes de perceber, embora ele o deixasse subir à tona da expressão às vezes angustiada do olhar e ao ricto sempre sardónico e amargão da boca. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto.» 

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