Adeus, Princesa
Clara Pinto Correia
Capa: Jorge Colombo
Relógio d’ Água Editores, Lisboa 1987
Não quis acreditar,
mas ela sorria-lhe na escada sem lux. Tinha emagrecido, muito pouco, não lhe
ficava mal. Tão bonita, tão escura. Tão redonda, gritou-lhe Sbastião Curto de
um canto qualquer da memória.
- Posso entrar?
- Bárbara Emília,
tu tem cuidado com o que fazes. Tu entra se tu quiseres, mas eu aviso-te, eu
aviso-te, Bárbara Emília, se entras já não sais. Eu aviso-te, Bárbara Emília,
vê o que estás a fazer. A carne é fraca.
Ela sorria,
vitoriosa.
- Eu sei. Eu sei
que a carne é fraca.
Sem se voltar,
fechou a porta da rua atrás de si. Tinha uns dentes magníficos.
- Mas o molho é
óptimo, Joaquim Peixoto.

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