sexta-feira, 15 de maio de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


 No dia 9 de Dezembro de 2025, Clara Pinto Correia é encontrada morta pela sua empregada doméstica, na casa em Estremoz, para onde se havia mudado há alguns anos.

O que tinha para dizer?

Que, pelo ano de 1987, olhando as críticas, comprei o policial Adeus, Princesa, e recordo-me que me diverti à brava.

Pelo meio, soube, vagamente, da paixão assolapada que  Clara Pinto Correia manteve com António Mega Ferreira, que deu em casamento.

Era uma das mulheres mais belas de Lisboa.

Também, vagamente, soube, algures, de ter sido acusada de plágio relativamente a um artigo publicado na revista Visão.

Pouco mais vim a saber sobre Clara Pinto Correia até ter aparecido morta na sua casa de Estremoz.

Escritora, jornalista, professora universitária, bióloga e divulgadora e uma vida em que o mistério, as sombras a envolveram.

Adeus Princesa foi publicado quando tinha 25 anos e marcou um tempo.

Sabia que o livro existia na Biblioteca da Casa mas por mero capricho, ou qualquer outra cousa, tardei em encontrá-lo e acabei por o reler. 

Sorri, mas não me diverti tanto como na primeira leitura.

É natural… mais que natural…

Não se sabem os motivos da morte mas lembro-me de ter lido sobre depressão, vícios, isolamento, problemas financeiros, traumas pessoais derivados dos amigos que a abandonaram.

A eterna solidão que, por vezes, invade os artistas, e não só…

Recordo sempre, ou quase sempre, Tomás da bolandeira no romance  Vidas Secas de Graciliano Ramos, quando Fabiano muitas vezes dissera:

 - “Seu Tomás, vossemecê não regula. Para quê tanto papel? Quando a desgraça chegar, seu Tomás se estrepa, igualzinho aos outros”.

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