As meninas, sentadas sobre o muro,
trazem
as mãos para a roda dos vestidos:
resguardam-se
do vento e, sem saber,
escondem
o corpo puro da violência do
amor.
Têm boquinhas frescas e vermelhas,
mas
nos seus lábios arrepiados de segredos
não
pousaram ainda os nomes que as
levarão
ao escândalo e à loucura. Nós
já
fomos assim; passámos as mãos pelo
nada
dos sentidos e pousámos beijos nas
paisagens.
E agora encosta-nos o vento
ao
cansaço dos muros e conhecemos apenas
línguas
mortas – nomes que, buscarmos,
teimam
em chegar cada vez menos.
Maria
do Rosário Pedreira em Poesia Reunida
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