quinta-feira, 23 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Petisquinhos de Lisboa

Eduardo Fernades (Esculápio)

Prefácio Carlos Consiglieri

Compendium, Lisboa 1995

O gosto de comer vem desde a imemorial hora em que o nosso antepassado deu conta do paladar e o repetiu.

Se a mão talhou o homem, a boca fez os sabores – os sentidos do gosto, em cada época do ano e ao longo do fluir da vida.

Talvez desde sempre, o comer fora um acto colectivo, quando mesmo não partilhado ou sublimado no silêncio de recordações. Saber repetir qual sabor, o travo único, o instante suspenso, o efémero da diferença que agita o subconsciente em regresso emotivo.

Aliás o percurso do homem é, em grande parte, identificado com o comer. Sem cairmos em determinismos fáceis – mas no sentido de partir de um dado momento -, um dos grandes saltos qualitativos da humanidade dá-se, depois do domínio do fogo, quando se estratifica a família  e se originou o Estado. Este processo inclui inevitavelmente a comida – na quantidade (nos excedentes em poder de unas), na qualidade e na diversidade.

Sem comentários: