Petisquinhos de Lisboa
Eduardo
Fernades (Esculápio)
Prefácio Carlos
Consiglieri
Compendium, Lisboa 1995
O gosto de comer vem desde a imemorial
hora em que o nosso antepassado deu conta do paladar e o repetiu.
Se a mão talhou o homem, a boca fez os sabores
– os sentidos do gosto, em cada época do ano e ao longo do fluir da vida.
Talvez desde sempre, o comer fora um
acto colectivo, quando mesmo não partilhado ou sublimado no silêncio de
recordações. Saber repetir qual sabor, o travo único, o instante suspenso, o
efémero da diferença que agita o subconsciente em regresso emotivo.
Aliás o percurso do homem é, em grande
parte, identificado com o comer. Sem cairmos em determinismos fáceis – mas no
sentido de partir de um dado momento -, um dos grandes saltos qualitativos da
humanidade dá-se, depois do domínio do fogo, quando se estratifica a família e se originou o Estado. Este processo inclui
inevitavelmente a comida – na quantidade (nos excedentes em poder de unas), na
qualidade e na diversidade.

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