«Além de ser uma notícia com carga emocional positiva, é um fenómeno irrepetível para muitos de nós, pelo menos em Portugal: o último (total) foi em 1912- e o próximo será em 2144. A excepção são os caçadores de eclipses, que andam pelo mundo à procura de ver a Lua ensombrar o Sol: alguns podem ficar-se apenas pela Península Ibérica (caçadores parciais) e terão a sorte de poder assistir a três entre 2026 e 2028 — e temos alguns desses nesta redacção.
A corrida aos óculos, que a 24 horas do eclipse surgiam à venda com preços que iam dos 10 aos 100 euros em plataformas de revenda online, comprova que há um certo fascínio na escassez e que fenómenos destes são imperdíveis.
Logo à tarde, haverá milhares, quiçá milhões, de telemóveis apontados ao céu.
Teremos apenas 20 segundos, um minuto ou quase dois de eclipse total, consoante
o sítio onde estivermos. Numa altura em que fotografamos tudo aquilo que
receamos esquecer, do mais banal prato de comida ao nascimento de um filho,
deixo-vos um dilema muito contemporâneo: quanto desse (breve) tempo queremos
passar a olhar para um ecrã?»
Do editorial de Sónia Sapage no Público de hoje
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