Enquanto o sol arrefece
Aproveitemos o tempo,
Pois nem sempre o que acontece
Muda o sentido do vento.
Abraçamos – de mãos postas –
A esperança da redenção,
Mas se há vento pelas costas
Mudamos de direcção…
Espada de ferro temperado
As limalhas no cinzeiro,
Como o vento moderado
Pode atrasar um veleiro…
A Terra tem duração,
Como embalagem perdida,
O nosso mundo é balão
Ameaçando descida…
Não te detenhas e esquece
O peso desta ameaça,
Enquanto o sol arrefece,
Fica no tempo que passa!
Lisboa,
24 de Janeiro de 1997
Henrique Segurado em Resumo: a poesia em 2012
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