Ontem apresentámos o poema
autografado de João Cabral de Melo Neto, hoje fica o de Carlos Drummond de
Andrade.
É o nº 18 de Colecção Poetas de Hoje. A selecção e o prefácio pertencem ao professor e ensaísta brasileiro
Massaud Moisés que entendeu lembrar uma entrevista que o poeta deu O jornalista
brasileiro Homero Senna:
«Minha vida não tem
interesse algum e o que nela pode haver de importante já contei em duas
autobiografias que escrevi para a Revista Acadêmica e para Leitura.
Penso que a biografia do escritor deve ser dada a conhecer ao público quando é
movimentada, rica de passagens curiosas e quando os vários lugares em que o
mesmo esteve e as pessoas que conheceu influíram de algum mnodo na sua obra. Nasci
em Itabira, no ano de 1902, de pais burgueses que me criaram no temor de Deus.
Meu pai era fazendeiro e embora fosse pessoa que nem sequer o curso primário
possuía completo, tomava conta muito bem dos seus negócios e escrevia suas
cartas com correção. Em Itabira passei minha meninice e ali fiz meus primeiros
estudos. Depois estive em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo, e em Friburgo,
com os Jesuítas. Primeiro aluno da classe, é verdade que mais velho que a
maioria dos colegas, comportava-se como um anjo, tinha saudades da família e
todos os outros bons sentimentos, mas expulsaram-me por “insubordinação
mental”. A saída brusca do colégio teve influência enorme no desenvolvimento
dos meus estudos e de toda minha vida. Casado, fui lecionar geografia no
interior. Depois voltei para Belo Horizonte, onde passei a fazer jornalismo,
tendo sido mais tarde levado para a burocracia por Mário Casassanta. Meu lugar
efetivo é, mesmo, de redator do Minas Gerais, que é o jornal oficial do
Estado. Desejando diplomar-me em alguma coisa (não fosse a interrupção dos meus
estudos em Friburgo, eu seria bacharel em direito, como todo brasileiro)
resolvi estudar farmácia. Não por qualquer inclinação especial, mas porque era
o curso mais rápido, três anos apenas. E de fato sou farmacêutico, diplomado
pela Escola de Belo Horizonte. Mas por que insistir nessas coisas?»
.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário