quarta-feira, 10 de junho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Caparica Doutros Tempos

Serafim Félix Martins

Edição de Autor, 2004

Os pescadores, têm na rede a alma do seu traço, de trigueiros e sentimentais. Amam a família e a sua terra, são religiosos, aventureiros e trabalhadores. Gostam de conviver em grupo, costumam falar alto, ciosos dos seus próprios costumes.

Vestem camisa aos quadrados, calças cinzentas ou azuis, usam boné ao alto, e tamancos ou chinelos nos pés. Na praia, costumam andar descalços. Logo pela manhã, muito cedo, vão matar o bicho, a ver o mar. Cantam o fado nas tabernas ou nas tascas. O fado, está ligado ao mar e às suas ondas de solidão. Nasce a música, como eco distante da luta dos pescadores, durante a faina da pesca.

À noite, lá pelas tantas da madrugada, era vê-los na taberna do Capote a beber um copo com os Setentas sempre a dar o mote. Comem o gordo carapau assado e a famosa sardinha, também assada, a pingar no pão, acabada de tirar do fogareiro de barro, o carvão a atear junto à porta da rua. Não abdicam da sopa de pexe, petingas de alhada, massa no caldo, pexe de azeite e vinagre, caldeirada *à pescador. Só eles conhecem o segredo na preparação desta comida deliciosa.

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