quinta-feira, 11 de junho de 2026

CONVERSANDO

Chegará o dia em que as nações tratarão Israel como o estado pária que é?

No dia 6 de Março, o jornalista António Rodrigues escrevia no Público:

«Há mais de 70 anos, o filósofo Bertrand Russell e o cientista Albert Einstein estavam entre os 11 signatários de um manifesto pacifista que ficou conhecido como o manifesto Russell-Einstein. Em tempos de guerra fria e de ameaça nuclear, o documento visava defender o “senso comum” face à ameaça de extinção da humanidade.

“O futuro da raça humana é mais sombrio do que nunca. A humanidade enfrenta uma alternativa clara: ou perecemos todos ou teremos de adquirir algum grau de bom senso. Uma grande dose de novo pensamento político será necessário para evitar um desastre total”, lia-se no texto publicado a 9 de Julho de 1955.
Desumanidade
A humanidade parece estar hoje novamente numa encruzilhada civilizacional em que se age sem bom senso, caminhando aceleradamente, cabeça bem esticada, em direcção ao muro de betão cuja existência insistimos em negar. Ao contrário da Guerra Fria e do equilíbrio frágil, mas perene, garantido pela destruição mútua assegurada, hoje actua-se pisando todas as linhas vermelhas como se não existissem, como se não importassem, como se fossem mentira.

Conspira-se com base em conspirações inexistentes, age-se em função de simulacros de realidade, vive-se como se o futuro não importasse: a próxima geração que apanhe os cacos se tiver condições para existir.

Perante este cenário conturbado de actos sem precedentes e teorias sem bases teóricas, Emmanuel Macron resolveu recuperar a teoria da destruição mútua assegurada e estendê-la temporariamente a outros países como meio de defesa: “Para ser livre, precisamos de ser temidos”, disse esta semana o Presidente francês ao anunciar que, pela primeira vez desde 1992, a França irá aumentar o número de ogivas nucleares e, pela primeira vez na sua história, vai disponibilizar os seus aviões com armas nucleares para outros países que precisem de dissuadir ameaças contra o seu território. Tal como em 1955, é preciso que alguém traga algum bom senso para as relações internacionais, mesmo que tenha alguma radioactividade.»

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