Aqui Emissora da Liberdade
Matos Maia
Capa: João
Viegas
Colecção 25 de
Abril Os Dias da Revolução nº 5
Edição
fac-simile A Bela e o Monstro/Rapsódia Final/Jornal Público, Lisboa Março de
2025
«Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que lua estoire e o sono estale
e a
gente acorde finalmente em Portugal»
Manuel Alegre
E foi assim
O poema fez-se microfone.
E o microfone falou, de repente
Não às três e tal, como previa o poema.
Mas às quatro e vinte e seis.
Dum dia que já é célebre.
E é festa.
25 de Abril de 1974.
A lua estoirou.
O sono estalou.
E a gente, finalmente, acordou em Portugal.
O microfone foi o nosso,
O microfone foi o do Rádio Clube Português – a emissora
da liberdade.
Palavra e acção proibidas e reprimidas durante dezenas
e dezenas de anos.
Nem Manuel Alegre, nem Rádio Clube Português, nem nós
, pensámos vez alguma que tal acontecesse.
Que o microfone fosse poema.
Que o microfone falasse.
E acordasse a gente em Portugal.
Mas aconteceu!
A lua estoirou e o sono estalou.
Lua que nunca mais estará encoberta.
Sono a que um povo nunca mais será obrigado.
Porque foi.
O que foi.
Como foi.
Palavras.
Depoimentos.
Verdades.
Fotos.
Tudo do posto
de comando do Movimento das Forças Armadas.
Do Rádio Clube Português.
Da emissora da liberdade.
Foi daqui que o país soube.
Foi daqui que a alegrai, a angústia, o desespero, a
verdade, as lágrimas saíram para as ruas.
E tomaram de assalto cidades e vilas.
Invadindo casas, penetraram no sono e na dúvida de
milhares de portugueses.
Como?
Tudo está nas páginas que se seguem.
Matos Maia
2 comentários:
Tenho seguido a vossa indicação e vou comprando estes livros, eu que nasci já algum tempo depois do 25 de Abril, e, pelas primeiras páginas já lidas do livro de ontem, comovi-me.
Obrigado.
Fazemos este blogue como um passar de tempo que nos dá algum gozo e não só.
Redobra-se este gosto de fazer, quando vemos, aos que vão passando por aqui, poucos mas bons, que se torna útil.
Obrigado pelas suas palavras.
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