sábado, 2 de maio de 2026

NORMALMENTE, O POVO VOTA MAL

 «O meu ponto é apenas chamar a atenção para um facto chocante. Há quatro anos, convocados a escolher entre Montenegro e Moreira da Silva para liderar o PSD, 26.975 militantes não hesitaram e votaram massivamente no agora primeiro-ministro. O resultado foi claro: 72,5% para Montenegro e uns curtos 27,5% para Moreira da Silva.

Há um fosso que separa Moreira da Silva de Montenegro: um tem carreira profissional, percurso internacional (na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e, agora, na Organização das Nações Unidas) e experiência governativa; o outro tem um passado apenas tribunício, complementado, sabemos agora, pela promoção de uma empresa familiar com uma carteira de clientes intimamente ligada ao seu percurso partidário regional.

Porque escolheram, então, os militantes do PSD Montenegro? Não foi certamente por questões de posicionamento ideológico: Montenegro opunha-se a Rio, mas escolheu para coordenar a sua moção o autor da moção do anterior líder, o agora ministro Miranda Sarmento. Os motivos são outros. No que é uma lei de ferro, os partidos de poder fecharam-se, desligaram-se da sociedade, não estão interessados em líderes com percursos autónomos, e os critérios que organizam as escolhas internas dependem de uma teia de cumplicidades irrelevante — quando não perniciosa — para a governação, mas decisiva para conquistar o aparelho.

O desfecho não poderia ser outro: entre Moreira da Silva e Montenegro, a escolha foi clara. Não surpreende, depois, que os resultados sejam os que se veem — sobre Gaza, sobre Trump e Putin, e na governação do país.
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Pedro Adão e Silva no Público

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