Pé
ante pé, estamos a chegar aos Santos Populares.
Tempo de festa, tempo de fogueiras, tempo de cheiros: bailaricos, sardinhas assadas, iscas, bifanas, manjericos, caldo verde, sangrias, cheiro e mais cheiros.
Lisboa já tem Sol mas cheira a Lua
Quando nasce a madrugada sorrateira
E o primeiro elétrico da rua
Faz coro com as chinelas da Ribeira
Se chove cheira a terra prometida
Procissões têm o cheiro a rosmaninho
Nas tascas da viela mais escondidas
Cheira a iscas com elas e a vinho
Um cravo numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa
A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiros de flores e de mar
Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é verão
Nos lábios tem um cheiro de um sorriso
Manjerico tem cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juízo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas
Um cravo numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa
A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiros de flores e de mar
Comprei ontem o primeiro manjerico no Pingo Doce.
Custou-me 1,29 euros, vaso de plástico,
folha grossa.
Há uns anos, também no Pingo Doce, o
majerico custou-me 0,95 euros.
Mas a guerra faz aumentar tudo, tudo, tudo.
Em outros tempos, o Largo de Camões, o
Martim Moniz, o Rossio, enchiam-se de pequenas barracas com montanhas de
manjericos em prateleiras. Pediam um preço, o freguês virava costas e elas
marchavam atrás e em cada passo desciam o preço.
Hoje, os manjericos vendem-se no Pingo Doce,
não sei se em mais alguma grande superfície. Também os encontramos nas
floristas, mas pedem em balúrdio.
Cheguei a comprar sementes de manjerico, mas
não deram em nada.
Dum velho Fugas do Público, deixo-vos
cuidados a ter com os manjericos.


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