quinta-feira, 21 de maio de 2026

AS QUATRO ESTAÇÕES

Vem o Inverno com o seu carrinho do frio

a apertar nas curvas; a Primavera e os seus

paroxismos que não duram muito; o Verão

e os seus langores de ainda menos; e por fim,

mas também pode ser no meio ou no princípio,

lá vens tu, que não falhas nunca, melancólico

e misericordioso Outono, a estenderes-me a taça

de vinho puro que eu bebo lenta e gravemente

com aquela lentidão, aquela gravidade característica

dos que não têm religião nenhuma, ou têm apenas essa.


Rui Caeiro em Resumo: a poesia em 2012

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