Vem o Inverno com o seu carrinho do frio
a apertar nas curvas; a Primavera e os
seus
paroxismos que não duram muito; o Verão
e os seus langores de ainda menos; e por
fim,
mas também pode ser no meio ou no
princípio,
lá vens tu, que não falhas nunca,
melancólico
e misericordioso Outono, a estenderes-me
a taça
de vinho puro que eu bebo lenta e
gravemente
com aquela lentidão, aquela gravidade
característica
dos que não têm religião nenhuma, ou têm
apenas essa.
Rui Caeiro em
Resumo: a poesia em 2012
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