segunda-feira, 6 de abril de 2026

O PASSAGEIRO DE BARBAS

Consta que vestia como um operário,

mas a camisa

imaculadamente branca. O chapéu

de abas largas guardava

o crânio do poeta da democracia.

Cantou sozinho,

percorreu léguas, foi quase vadio.

Na sua bíblia os salmos incitam

à fraternidade, à vida plena.

Cantou a saúde e a bondade,

a rebeldia. Cantou o sexo

naturalmente livre e a América

não gostou.

Acabou os seus dias na casita

em Camden, atafulhada de exemplares

de Leaves of Grass

numa rua miserável, fedorenta.

 

  Isabel de Sá

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