quarta-feira, 15 de abril de 2026

TRUMPALHADAS

«Era suposto J.D. Vance estar a jogar em casa. Na terça-feira, o vice-presidente norte-americano era entrevistado num evento na Universidade da Georgia organizado pela conservadora Turning Point USA, de cuja actual líder Erika Kirk obteve já uma primeira declaração de apoio a uma quase certa candidatura às presidenciais de 2028, quando foi interrompido por um manifestante na plateia. “Estão a matar crianças” e “Jesus Cristo não apoia genocídios”, ouviu-se.

Vance podia ter repetido o que Donald Trump fez várias vezes na campanha de 2024 e menosprezado o incidente como um acto de um "infiltrado". Desta vez, o vice-presidente republicano reconheceu que as críticas vêm de dentro. “Aceito que os eleitores jovens não amam as políticas que temos no Médio Oriente”, declarou o número dois da Administração Trump. “O que vos peço é que não desmobilizem só porque discordam do Governo num tema”, apelou

De delfim a pára-raios de Trump, J.D. Vance é rosto de tripla derrota de Washington
O proto-candidato republicano, que vinha perdendo protagonismo em Washington para Marco Rubio, chefe da diplomacia dos EUA e outro putativo nome para a sucessão de Trump, foi na semana passada enviado para duas frentes de batalha no Irão e na Hungria. A dupla missão elevaria o seu perfil político e encaixaria em dois eixos da sua agenda externa: o fim do intervencionismo militar norte-americano, através da negociação de um acordo de paz com Teerão, e a promoção da direita radical europeia, com a sua presença na campanha eleitoral húngara.

O esforço terminou em dupla derrota no fim-de-semana, a que se junta agora uma crise diplomática com o Vaticano. Vance vê-se transformado numa espécie de pára-raios de Trump, atraindo parte das críticas de que este é alvo, com custos para a sua marca política.»

De um texto de Pedro Guerreiro no Público 

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