«Era suposto J.D. Vance estar a jogar em casa. Na terça-feira, o
vice-presidente norte-americano era entrevistado num evento na Universidade da
Georgia organizado pela conservadora Turning Point USA, de cuja actual líder
Erika Kirk obteve já uma primeira declaração de apoio a uma quase certa
candidatura às presidenciais de 2028, quando foi interrompido por um
manifestante na plateia. “Estão a matar crianças” e “Jesus Cristo não apoia
genocídios”, ouviu-se.
Vance podia ter repetido o que Donald Trump fez várias vezes na campanha de
2024 e menosprezado o incidente como um acto de um "infiltrado".
Desta vez, o vice-presidente republicano reconheceu que as críticas vêm de
dentro. “Aceito que os eleitores jovens não amam as políticas que temos no
Médio Oriente”, declarou o número dois da Administração Trump. “O que vos peço
é que não desmobilizem só porque discordam do Governo num tema”, apelou
De delfim a pára-raios de Trump, J.D. Vance é rosto de tripla derrota de
Washington
O proto-candidato republicano, que vinha perdendo protagonismo em Washington
para Marco Rubio, chefe da diplomacia dos EUA e outro putativo nome para a
sucessão de Trump, foi na semana passada enviado para duas frentes de batalha
no Irão e na Hungria. A dupla missão elevaria o seu perfil político e
encaixaria em dois eixos da sua agenda externa: o fim do intervencionismo
militar norte-americano, através da negociação de um acordo de paz com Teerão,
e a promoção da direita radical europeia, com a sua presença na campanha
eleitoral húngara.
O esforço terminou em dupla derrota no fim-de-semana, a que se junta agora uma
crise diplomática com o Vaticano. Vance vê-se transformado numa espécie de
pára-raios de Trump, atraindo parte das críticas de que este é alvo, com custos
para a sua marca política.»
De um texto de Pedro Guerreiro no Público

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