quinta-feira, 16 de abril de 2026

CLARA

Disse que se chamava Clara

e sentou-se na mesa, chamando

o criado para pedir um uísque irlandês.

Eles abriram mais espaço, cruzaram

as pernas, perguntaram se os charutos

a incomodavam. Clara disse: «Não!»

Pediu mesmo se lhe ofereciam um.

«Claro!», ofereceu o mais jovem,

emprestando-lhe a tesourinha

niquelada. Disseram banalidades,

vieram mais bebidas. Clara traçava

o rumo da conversa, entre baforadas

azuladas. Quando ela saiu, descruzaram

as pernas e ficaram sem saber o que dizer.

Eduardo Guerra Carneiro em Profissão de Fé

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