sábado, 18 de abril de 2026

POEMAS AUTOGRAFADOS


 

Com António Ramos Rosa, nº 12 da Colecção Poetas de Hoje, editados pela Portugália Editora, fecha-se a apresentação

dos Poemas Autografados dos volumes existentes na Biblioteca ca Casa.

O poeta E.M. de Melo e Castro é o autor do prefácio-estudo da poesia de António Ramos Rosa, um poeta muito cá da casa.

Quando em 1988 recebeu o Prémio Pessoa, organização do semanário Expresso, disse:

«No meu trabalho poético há duas fases. A primeira está mais ligasa a certos condicionalismos sociopolíticos, que têm a ver com o regime repressivo da ditadura fascista. Numa segunda fase, aproximei-me mais de uma atitude contemplativa, de abertura ao mundo e à natureza. Penso que a minha poesia é, de certa maneira, a identificação de um país que por natureza está sempre submerso, por um lado, e o real, por outro.»

Um país submerso, notou e também acrescentou que, em 1988, «não sei mais do que sabia quando escrevi o meu primeiro poema.

Gostava de dizer, citando Octavio Paz que «os poetas não têm biografia.»

António Ramos Rosa não escolheu um poema para o seu autógrafo, escolheu as primeiras palavras do poema Para a Linguagem Necessária:

Minhas palavras, meus saltos

bruscos, pontiagudos

para dizer o espaço

que subjaz sempre novo.

 

Para dizer o que resta

ou o que falta de súbito,

o que nos faz continuar,

água livre.

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