Com António
Ramos Rosa, nº 12 da Colecção Poetas de Hoje, editados pela Portugália Editora,
fecha-se a apresentação
dos Poemas
Autografados dos volumes existentes na Biblioteca ca Casa.
O poeta E.M.
de Melo e Castro é o autor do prefácio-estudo da poesia de António Ramos Rosa,
um poeta muito cá da casa.
Quando em
1988 recebeu o Prémio Pessoa, organização do semanário Expresso, disse:
«No meu trabalho
poético há duas fases. A primeira está mais ligasa a certos condicionalismos
sociopolíticos, que têm a ver com o regime repressivo da ditadura fascista.
Numa segunda fase, aproximei-me mais de uma atitude contemplativa, de abertura ao
mundo e à natureza. Penso que a minha poesia é, de certa maneira, a identificação
de um país que por natureza está sempre submerso, por um lado, e o real, por
outro.»
Um país submerso, notou e também acrescentou que, em
1988, «não sei mais do que sabia quando
escrevi o meu primeiro poema.
Gostava de
dizer, citando Octavio Paz que «os poetas
não têm biografia.»
António
Ramos Rosa não escolheu um poema para o seu autógrafo, escolheu as primeiras
palavras do poema Para a Linguagem Necessária:
Minhas palavras, meus saltos
bruscos, pontiagudos
para dizer o espaço
que subjaz sempre novo.
Para dizer o que resta
ou o que falta de súbito,
o que nos faz continuar,
água livre.

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