O sinal vermelho, o carro
travado. À esquerda, a bomba de
gasolina;
à direita, a gaiola equívoca.
Duram um minuto e meio,
a minha espera
e os contos que me visitam,
rápidos monogramas em ponto cruz
dessa louca sem nome.
Morou ali no tempo
Em que a cidade acabava antes.
Gritava no corredor
que era um pássaro, nascia de manhã
com asas, as penas caíam-lhe à mesa.
Ao fim do dia, abria-se a porta
da varanda. Arrancou
e comeu todas as petúnias brancas.
Depois, o bordado caído
e os olhos atirados para o céu,
por onde hão-de passear estes aviões
agora. Presos: o tecido no bastidor e o
ar no peito
(ao contrário daquele que ainda circula –
a única coisa que as grades não podem
segurar).
Margarida Ferra
em Curso Intensivo de Jardinagem
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