Gestos,
apenas
gestos. A minuciosa ternura
posta
nas coisas imediatas,
nas
que duram contra a noite,
nas
que acendem lâmpadas precárias
e
contêm o silêncio, o silêncio,
como
se música fossem
e
nela nós viéssemos
perder.
Gestos,
tu
ouves?
Nem
o teu coração pode dar guarida
a
tanto silêncio da terra.
Se
agora mesmo devagar nos anoitecesse
e
se, mergulhados numa aguda nostalgia
ou
na recordação de um rosto,
nos
desencontrássemos do mundo,
só
esse gesto viria resgatar-nos,
a
nós, feridos de amor e de sentido.
Por
isso, hoje só posso dizer
o
que o teu coração abandonou.
Luís Filipe Castro Mendes em Poemas Reunidos
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