domingo, 12 de março de 2017

SARAMAGUEANDO


Em Novembro de 1975, quando foi demitido da direcção do Diário de Notícias, o Partido nem sequer o chamou para a constituição da equipa que iria fazer O Diário.

José Saramago decidiu não procurar trabalho, dedicar-se a fazer traduções e lançar-se, a tempo inteiro, a escrever livros, dizendo a si mesmo:

Chegou a hora de saber se és um escritor ou não.

O desemprego, a não solidariedade dos camaradas do Partido, acabou por empurrar Saramago para os grandes caminhos da literatura que, anos mais tarde, teria o seu ponto alto com a atribuição do Prémio Nobel da Literatura.

Refugiado no Alentejo escreverá Levantado do Chão.

Nos finais de Setembro, tem em acabamentos a peça de teatro, A Segunda Vida de São Francisco de Assis, está embrenhado na investigação histórica para o Memorial do Convento, já com o projecto de O Ano da Morte de Ricardo Reis na contagem dos dias, aparece, na edição de 1 de Outubro de 1981 do semanário Extra,  aparece a desabafar:

Quem me dá uma esmolinha de tempo para acabar tudo isto.

José Saramago, numa carta, datada de 14 de Maio de 1967 e dirigida a José Rodrigues Miguéis, escreve:

Alguma vez hei-de fazer o que me dá gosto…

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