quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

PÓLO OPOSTO


 Surda languidez ao pé das palmeiras

Hoje seria Natal exactamente Natal
A ramagem e o fruto graxo sobre o galho
verdejam

exércitos de insectos zunem em círculos eternos

Surda languidez ao pé das palmeiras
o leque de sombras da floresta
assusta a ave-do-paraíso

Penso na pátria e pensativo fito o chão
se a terra fosse transparente
daqui poderia enxergar debaixo de todas as saias da Europa

Pés brilham e deslizam entre babados
como as dançarinas
de Paris em passos rápidos sobre folhas de espelho

Penso em seus ombros nos ombros apenas
nos olhos nos lábios nos cabelos
e nos seios principalmente nos seios

Quantas amei quantas belas e brancas
chuva de rosas dos meus pés à cabeça
Uma única mulher negra me pertenceu

Surda languidez ao pé das palmeiras
Caminho aqui de cabeça para baixo
como se andasse sobre o tecto

Abaixo de mim profundeza brilha a voragem celeste
caminho feito Cristo vergado debaixo do Cruzeiro do Sul

Do outro lado do mundo os homens
correm correm ao avesso
Só fico pensando em seus sapatos de sola furada

Seus pequenos passos de criança
em jardins furta-cor
lançam folhagem sangrenta para baixo

A terra dos checos estende-se na outra parte do mundo
terra exótica e estranha
com rios profundos e fabulosos
pode-se atravessá-los de pés secos no dia onomástico de Jesus
temos outono inverno verão e primavera

As pessoas usam sobretudo gravatas
e bengalas
talvez esteja nevando agora
talvez a cerejeira esteja em flor

Amoras abundantes estão crescendo
E há água potável fresca


Konstantin Biebl, tradução de Aleksandar Jovanovic em Rosa do Mundo

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