«José Saramago pode deixar de ser um autor de leitura obrigatória no 12.º ano, podendo os professores escolher em alternativa uma obra de Mário de Carvalho. Esta é uma das alterações previstas na proposta de revisão das aprendizagens essenciais de Português, um documento do Ministério da Educação, que está em consulta pública até dia 28. Alunos do secundário devem ler 60 minutos por dia, ser capazes de interpretar, recriar e debater os textos que lêem e serão avaliados também pela postura e dicção nas apresentações orais.»
Inês Schreck no Público, 30 de Março
A posição da Fundação José Saramago:
«E agora quero também agradecer aos escritores
portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de agora: é por eles
que as nossas literaturas existem, eu sou apenas mais um que a eles se veio
juntar.»
Com esta frase terminava José Saramago o seu discurso
de agradecimento do Prémio Nobel, a 10 de dezembro de 1998. A Fundação
José Saramago considera conveniente recordá-la diante das notícias ontem
tornadas públicas, relativas a uma possível alteração na lista de livros
de leitura obrigatória para o 12.º ano, que se encontra em consulta pública até
ao dia 28 de abril.
A posição da Fundação José Saramago será sempre a de
agregar, de não excluir, não colocar em comparação ou oposição. Daí que
deixemos à Comissão responsável por esta alteração na lista de livros de
leitura obrigatória para o 12.º ano a sugestão de trocar a palavra “ou” pela
palavra “e”, juntando a José Saramago o escritor Mário de Carvalho, merecedor
de toda a admiração e abrindo assim a porta a que outras e outros escritores
participem também na formação das novas gerações de leitores.
De qualquer forma, não podemos deixar de colocar duas
questões:
— Qual o critério para esta alteração?
— Se esta alteração também abrangerá outros autores que integram o cânone da
Literatura Portuguesa, colocando-os como de leitura sugerida e não obrigatória?
Lisboa, 30 de março de
2026

2 comentários:
A D. Pilar já saldou a dívida da FJS ao município de Lisboa (água, luz, etc.) ? Se sim, quando e quanto? Pronunciar-me-ei então acerca da polémica actual.
Uma coisa pode constatar-se: os miúdos cada vez lêem menos. Há longo tempo o desabafo de uma professora de liceu: “intelectuais na escola são os que lêem “A Bola” porque os outros não lêem nada”.
A questão básica não reside nos autores que a escola deve indicar para leitura dos estudantes, seja Saramago, seja Mário de Carvalho, quem quer que seja, a questão é que não lêem.
Lembremos Camilo Castelo Branco:
«Se o rapaz souber ler assim que chegar à idade, às duas por três, fazem-no jurado, regedor, camarista, juiz ordinário, juiz de paz, juiz eleito. São favas contadas. Depois, enquanto ele vai à audiência ou à câmara, a Cabeçais, daqui uma légua, os criados e os jornaleiros ferram-se a dormir a sesta de cangalhas à sombra dos carvalhos, e o arado fica também a dormir no rego. E ademais, isto de saber ler é meio caminho andado para asno e vadio. E citava exemplos, personalizando meia dúzia de brejeiros que sabiam ler e eram mais asnos e vadios que os analfabetos.»
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