(Parque Eduardo VII, 1954)
Ouve-me tu, desta vez.
Nem cercos precários,
desvios que nunca se
encontram
ou compromissos com o
absoluto:
não quero mais
coincidir
com o tempo,
agora que deixei de
coincidir
com a minha língua.
Quero um amor que tenha
a lealdade de um
cancro,
que alastre apenas
dentro de mim
e me escolha os ossos
com dedos ligeiros mas
demorados
de nódoa negra.
Diz-me o sentido
e seguir-te-ei,
de palavras levantadas
contra o frio,
até chegar o som da
espinha
quebrada como um livro
que se cansou de ser
aberto.
Inês
Dias em Resumo: a poesia em 2012
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