segunda-feira, 8 de junho de 2026

OLHAR AS CAPAS


As Pessoas de Minha Casa

Júlio Conrado

Capa: Antunes

Círculo de Leitores, Lisboa, Novembro de 1984

Falando de homem para homem, isto ´r, de fantasma para fantasma, a massa de que eles se fazem tem que se lhe diga. No dia em que o o professor de Moral me perguntou se habitualmente fazia em privado cócegas na gaita, tinha com certeza um programa intenso: além da obrigação de assistir às aulas, poderia ter de declamar um soneto da minha autoria ou uma estrofe de Os Lusíadas, apalpar o cu à miúda da Cruz Quebrada, dizer olá, de longe, à minha querida, ouvir ressonar em inglês, jogar à bola – integrava a equipa da Linha, rival número um da de Lisboa – ouvir uma história edificante de elogio à pobreza, espreitar a vizinha, comer em pensamento, Liberta, devorar a Beta Humana, espremer-me em conformidade.

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