As Pessoas de Minha Casa
Júlio Conrado
Capa: Antunes
Círculo de Leitores,
Lisboa, Novembro de 1984
Falando de homem para homem, isto ´r, de fantasma para
fantasma, a massa de que eles se fazem tem que se lhe diga. No dia em que o o
professor de Moral me perguntou se habitualmente fazia em privado cócegas na
gaita, tinha com certeza um programa intenso: além da obrigação de assistir às
aulas, poderia ter de declamar um soneto da minha autoria ou uma estrofe de Os
Lusíadas, apalpar o cu à miúda da Cruz Quebrada, dizer olá, de longe, à minha
querida, ouvir ressonar em inglês, jogar à bola – integrava a equipa da Linha,
rival número um da de Lisboa – ouvir uma história edificante de elogio à
pobreza, espreitar a vizinha, comer em pensamento, Liberta, devorar a Beta
Humana, espremer-me em conformidade.

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