sábado, 24 de janeiro de 2026

VELHOS RECORTES


Naquele edifício existiu a Livraria Opinião.

Na sua edição de 1 de Setembro de 2020, em artigo de Luís Miguel Queirós, o Público trazia-nos a notícia, que já era há algum tempo um rumor, de que a Editora Cotovia, projecto editorial de André Jorge, iria fechar portas.

«Numa conversa com o Público em 2017, quando regressou à Cotovia para relançar a editora, após a morte de André Jorge, Fernanda Mira Barros já avisava: “Tenho o privilégio de poder abdicar de um salário, e estou a dar-me dois ou três anos para pôr isto bem, mas sei que é muito difícil viver no sector dos livros tal como ele é hoje, e não sou o André, não vou vender o património que herdei dos meus pais para sustentar a editora.”

Com cerca de 1500 títulos publicados, a Cotovia foi lançada em 1988 por André Jorge e pelo seu irmão, o poeta João Miguel Fernandes Jorge, que se desentenderiam pouco depois, ficando o primeiro a conduzir o barco sozinho.»

A editora publicou a revista literária As Escadas Não Têm Degraus, projectos de duvidosos retorno financeiro como o lançamento, em 1990, de um volume autónomo com os índices da poesia de Jorge de Sena.

André Jorge só publicava os livros de que gostava como se recusava a publicar livros de que não gostava, também não estava disposto a pactuar com situações que considerava injustas apara assegurar a distribuição dos livros. Ficou conhecida a decisão que a dada altura tomou de deixar de vender os seus livros nas lojas Bertrand. “Custa-me tanto pôr uma gravata como aturar um idiota que do alto da sua função tenta esmagar – “Este vem aqui porque precisa de vender, então vou impor as regras.»

Quando uma editora acaba, os amantes de livros morrem um bocado, principalmente quando esses tubarões que abocanharam pequenas editoras e não foi por amor aos livros , nem sequer sabem do negócio, mas meramente pelo metal sonante!

 

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