quinta-feira, 14 de novembro de 2019

SARAMAGUEANDO


José Luís Peixoto começa alguns capítulos de Autobiografia com palavras de José Saramago:

Um dia escrevi que tudo é autobiografia, que a vida de cada um de nós a estamos contando em tudo quanto fazemos e dizemos, nos gestos, na maneira como nos sentamos, como andamos e olhamos, como viramos a cabeça ou apanhamos um objeto no chão. Queria eu dizer então que, vivendo rodeados de sinais, nós próprios somos um sistema de sinais. Seja como for, que os leitores se tranquilizem: este Narciso que hoje se contempla na água desfará, amanhã, com sua própria mão, a imagem que o contempla.
José Saramago, Cadernos de Lanzarote, 1997

Não me escondo por trás do narrador.
José Saramago, 1994

Somos as palavras que usamos. A nossa vida é isso.
José Saramago, 2008

Há que escolher. Memórias ou romance? Confissão ou ficção?
José Saramago, 1951

Damos voltas e voltas. Mas, na realidade, só há duas coisas: ou você escolhe a vida, ou se afasta dela.
José Saramago, 1987

A linha que parece uma linha recta, não o é.
José Saramago, 1997

O leitor lê o romance para chegar ao romancista.
José Saramago, 2009

O leitor deve ter um papel que vai mais além de interpretar o sentido das palavras.
José Saramago, 2008

Que este romance (Todos os Nomes) possa ser entendido como mum ensaio sobre a existência – talvez. Julgo que todos os livros o são, que escrevemos para saber o que significa viver.
José Saramago, 1997

Toda a obra literária leva uma pessoa dentro, que é o autor. O autor é um pequeno mundo entre outros pequenos mundos. A sua experiência existencial, os seus pensamentos, os seus sentimentos estão ali.
José Saramago, 2001

Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não.
José Saramago, 1997

A literatura não é um compromisso. Nunca. Se o compromisso existe, será o dessa pessoa que é o escritor. A literatura não pode ser instrumentalizada.
José Saramago, 1998

José Saramago disse-me muitas vezes: o José tem de pensar na sua obra. O José era eu.
José Luís Peixoto, 2010

A literatura é o resultado de um diálogo de alguém consigo mesmo.
José Saramago, 2008

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