terça-feira, 14 de julho de 2020

OLHAR AS CAPAS


A Batalha de Dunkerque

Richard Collier
Tradução: Orlando Neves
Capa: Carlo Santos
Colecção Testemunhos nº 7
Editorial Início, Lisboa, 1968

O sapador Thomas Marley teve o maior choque da sua vida. Desde o momento em que o seu comandante, o major Adams, lhe disse: «Dirija-se para Dunquerque», ele ficou convencido de que a sua companhia de sapadores tinha por qualquer motivo caído em desgraça e estava a ser reenviada para Inglaterra. 
Agora, estremecendo sob a chuva torrencial na praia de Dunquerque, com a ´gua pela cintura enquanto ajudava a meter as padiolas em pequenos barcos, Marley era um dos milhares que já pensavam diferentemente. Não era apenas a sua companhia que regressava. Era todo o exército.
Aqueles pontos luminosos perfurando a escuridão quando ele chegou à parai não eram pirilampos mas soldados – incontáveis milhares deles – acendendo silenciosamente cigarros. O tinir estrondeante, arrasador dos nervos, como um malho batendo numa bigorna, eram os canhões de 4 polegadas dos destroyers matraqueando os Heinkels e os Messerschmitts. O leve e sobrenatural zumbido, como o vento soprando nos fios do telégrafo, era o lamento dos feridos que Marley ajudava a socorrer.
«Leva-me o mais levemente que possas», disse um homem a Marley com realismo. «Sei que estou a morrer.» Para marley, como para milhares de outros, este era o momento da verdade. 

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