quarta-feira, 6 de março de 2024

VIAGENS POR ABRIL


             Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                                                       João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.


 «No uso de uma prerrogativa constitucional que lhe confere o direito de expor à Assembleia Nacional assuntos de «reconhecido interesse nacional, o Presidente do Conselho fez, no dia 5, àquela câmara uma comunicação sobre política ultramarina que publicamos em suplemento a este número do «Notícias de Portugal».

Transmitida em directo pela rádio e pela televisão, a comunicação foi feita antes da ordem do dia.»

Notícias de Portugal, 9 de Março de 1974.

Citações do discurso que Marcelo, com casa cheia, como se diz no futebol, proferiu na Assembleia Nacional:

«Nenhuma dúvida pode haver de que o mais grave problema que presentemente se põe à Nação portuguesa é o Ultramar.

(…)

Nunca será demais recordar que as operações militares em Angola, em Moçambique e na Guiné resultaram da legítima defesa perante uma agressão preparada e desesncadeada a partir de territórios estrangeiros.

(…)

Como, porém tive ocasião de dizer em Julho de 1972, «as forças militares que servem ma África portuguesa e hoje têm cerca de metade dos seus efectivos constituídos por africanos, não fazem a guerra: asseguram a paz.

Não dominam, não subjugam, não anexam, não conquistam – apenas vigiam, e repelem quando necessário a força pela força, proporcionando aos habitantes a possibilidade de fazer normalmente a sua vida, apoiando a sua evolução e promoção social, e garantindo o fomento e o progresso dos territórios.»

Servindo-nos de Origens e Evolução do Movimento de Capitães de Diniz de Almeida, ficamos a saber que neste mesmo dia, do discurso de Marcelo:

«… num atelier pertencendo ao arquitecto Braula Reis, por detrás do Restaurante João Padeiro, em Cascais, arranjado pelo major Sanches Osório, era já noite, quando o soalho dum modesto e canhado primeiro andar flectia sob o peso das inúmeras presenças, (cerca de 200 oficiais dos 3 ramos das Forças Armadas).»

É nesta reunião que se decide que dois camaradas da Comissão Coordenadora «indicados pelos restantes membros, designassem secretamente (retendo apenas portanto esses membros o conheciment0 de tal designação, dois camaradas, sendo um responsável pela elaboração do programa político a partir do Manifesto e outro pela elaboração de uma ordem de operações a utilizar em caso de necessidade de emprego de Forças Armadas.»

Conclui Diniz de Almeida:

«Registe-se que esses camaradas viriam a cumprir as suas tarefas já que é daí que nasce o programa do M.F.A. e embora não previsto na altura, é a 25 de Abril feito o recurso à intervenção de unidades do Exército.»

Ficavam a faltar 50 dias para o 25 de Abril.

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