Hoje tenho as tuas mãos e o teu silêncio
e a livre flor por ti
colhida em pleno Abril deste ano.
Tenho as árvores onde vamos
pousar os mesmos olhos
e o vento que nos viaja
quando estamos
sob o rumor dos pinheiros
rente ao rio.
Tenho os teus olhos e a
água em que se espelham
e a terra onde tocam os
teus dedos.
Tenho a voz com que me
falas ao ouvido
para podermos sentir ao
mesmo tempo
a brisa madura do Nordeste,
e tenho quando és longe, o
teres sabido
estar comigo inteira a ver
a tarde
correr tal como um rio
livre das horas.
Mas que terei eu de ti
quando amanhã
te fores de vez embora?
Eduardo Valente da Fonseca
em 71 Poemas
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