sexta-feira, 19 de junho de 2026

HOJE TENHO AS TUAS MÃOS E O TEU SILÊNCIO

Hoje tenho as tuas mãos e o teu silêncio

e a livre flor por ti colhida em pleno Abril deste ano.

Tenho as árvores onde vamos pousar os mesmos olhos

e o vento que nos viaja quando estamos

sob o rumor dos pinheiros rente ao rio.

Tenho os teus olhos e a água em que se espelham

e a terra onde tocam os teus dedos.

Tenho a voz com que me falas ao ouvido

para podermos sentir ao mesmo tempo

a brisa madura do Nordeste,

e tenho quando és longe, o teres sabido

estar comigo inteira a ver a tarde

correr tal como um rio livre das horas.

Mas que terei eu de ti quando amanhã

te fores de vez embora?


Eduardo Valente da Fonseca em 71 Poemas

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