terça-feira, 6 de outubro de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


 Só tardiamente comecei a ler Clarice Lispector.

Encontrei este livro na Re-Read da Avenida de Roma, onde antes era a Leitaria Suprema.

Escreve o seu biógrafo Benjamim Moser que investigou a vida de Clarice em tês continentes, desde Tchechelnik até ao Recife, depois ao Rio de Janeiro e mais tarde, como esposa de diplomata, a Nápoles, Berna e Washington, até ao regresso definitivo ao Rio de Janeiro:

«Nascida em 1920, numa Ucrânia devastada pela Primeira Guerra Mundial e a Revolução Bolchevique, com a família forçada à emigração pelos pogroms que violentaram a mãe e arruinaram o pai, Clarice Lispector tornou-se no Brasil uma mulher cujos talento literário, beleza e originalidade intrigaram muitos escritores e artistas»

Maçã no Escuro é um livro sereno.

«O modo como, tranquilo, o tempo decorria era a lua altíssima passando pelo céu.»

É o primeiro dos três romances que publicou nos anos sessenta.

Numa das numerosas versões de A Maçã no Escuro que escreveu, Clarisse ouviu até à exaustão a Quarta Sinfonia de Brahms, número que se exprime no livro como símbolo do mundo criado e de vida.

Copio a epígrafe escolhida pela autora:

«Criando todas as coisas, ele entrou em tudo. Entrando em todas as coisas, tornou-se o que tem forma e o que ´informe; tornou-se o que pode ser definido; e o que não pode ser definido; tornou-se o que tem apoio e o que não tem apoio; tornou-se o que é grosseiro e o que é subtil. Tornou-se toda a espécie de coisas: por isso os sábios chamam-no real.»

Vedas !Upanichade)

Só os mais atentos conseguem encontrar esta maçã no escuro.

Teremos que tentar.

Já agora, ouçamos a 4ª sinfonia de Brahms.

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