Só tardiamente comecei a ler Clarice Lispector.
Encontrei este livro na Re-Read da Avenida de Roma, onde antes era a Leitaria Suprema.
Escreve o seu biógrafo Benjamim Moser que investigou a
vida de Clarice em tês continentes, desde Tchechelnik até ao Recife, depois ao
Rio de Janeiro e mais tarde, como esposa de diplomata, a Nápoles, Berna e
Washington, até ao regresso definitivo ao Rio de Janeiro:
«Nascida em 1920, numa Ucrânia devastada
pela Primeira Guerra Mundial e a Revolução Bolchevique, com a família forçada à
emigração pelos pogroms que violentaram a mãe e arruinaram o pai, Clarice
Lispector tornou-se no Brasil uma mulher cujos talento literário, beleza e
originalidade intrigaram muitos escritores e artistas»
Maçã no Escuro é um livro sereno.
É o primeiro dos três romances que publicou nos anos sessenta.
Numa das numerosas versões de A Maçã no Escuro que escreveu, Clarisse ouviu até à exaustão a Quarta Sinfonia de Brahms, número que se exprime no livro como símbolo do mundo criado e de vida.
Copio a epígrafe escolhida pela autora:
«Criando todas as coisas, ele entrou em
tudo. Entrando em todas as coisas, tornou-se o que tem forma e o que ´informe;
tornou-se o que pode ser definido; e o que não pode ser definido; tornou-se o
que tem apoio e o que não tem apoio; tornou-se o que é grosseiro e o que é
subtil. Tornou-se toda a espécie de coisas: por isso os sábios chamam-no real.»
Vedas !Upanichade)
Só os mais atentos conseguem encontrar esta maçã no escuro.
Teremos que tentar.
Já agora, ouçamos a 4ª sinfonia de Brahms.
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