quinta-feira, 3 de setembro de 2020

OLHAR AS CAPAS


Daqui Ninguém Sai Vivo

Jerry Hopkins e Daniel Sugerman
Tradução: Rita Freudenthal
Colecção Rei Lagarto nº 2
Assírio & Alvim, Lisboa, Novembro 1992

A verdade é que ninguém tem a certeza como Jim Morrison morreu. Se existiu alguma vez um homem que estivesse pronto, apto e desejoso de morrer, era Jim. O seu corpo estava velho e a sua alma cansada.
Por outro lado, há quem não engula nenhuma destas versões. Jim Morrison não está morto, dizem. Isto não é artificial como pode parecer. Se existiu alguma vez um homem que estivesse pronto, desejoso e apto a desaparecer, era também Jim. Seria perfeito, mantendo para ele o seu carácter imprevisível, arranjar a sua própria morte como maneira de escapar à sua vida pública. Estava cansado de uma imagem que ele tinha tornado demasiado grande mas não podia diminuir nem eliminar. Tinha procurado obter credibilidade como poeta mas vira as suas tentativas frustradas pela sua atracção como herói cultural. Gostava de cantar e amava verdadeiramente o talento dos Doors, e no entanto, procurou desesperadamente obter algum alívio das pressões que a fama lhe trouxe. Talvez não tenha feito nada mais, no fim da semana de 3 a 4 de Julho, do quer ter desaparecido da vista para encontrar a paz de escrever e a liberdade do anonimato.

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