Em tempos não muito
distantes, as vindimas realizavam-se por finais de Setembro e iam por Outubro
dentro.
E eram uma festa!
Devido às variações climáticas provocadas pelos humanos passaram a acontecer em finais de Agosto e entram por Setembro dentro.
Pedro Garcia, em crónica no Público de 4 de Setembro, fala das vindimas no seu Douro:
«Uma vindima de velório e a maldição do carvalho grande de Joseph WayneO abismo em que está a mergulhar a vitivinicultura, pela queda contínua do consumo de vinho, não é o fim do mundo, mas é uma boa metáfora da vida, de darmos tudo como garantido, e até do que nos espera, se seguirmos sem perceber a força e a verdade da natureza e se insistirmos em a desafiar, como estamos a fazer com a Inteligência Artificial, por exemplo, cujas infinitas possibilidades que ela nos abre dependem de mais consumo de electricidade e de água, para alimentar e arrefecer os grandes centros de dados. A IA é o novo combustível fóssil e pode ser ainda mais letal.
O leitor já percebeu que a vindimafoi um velório. Deve ser do meu natural pessimismo, que a idade vai agravando, mas colher uvas sem ver futuro no vinho não é uma tarefa agradável. E ter uvas e não encontrar quem as compre, como está a acontecer a muita gente, ainda é pior. O meu tio esteve certo no seu tempo. Hoje, não. As vinhas já não dão casas, é o contrário.»
1.
Um dia Benjamim
Franklin, um dos principais Pais Fundadores dos Estados Unidos, cientista,
inventor, diplomata e escritor, não esteve de modas, e disse:
«O vinho é a prova provada de que Deus nos ama e nos deseja ver felizes».
2.
Importante a opinião de
João Paulo Martins, jornalista, escritor, um apaixonado por vinhos:
«O melhor vinho que bebi não foi seguramente o melhor vinho que já
provei. O melhor que bebi foi-o porque eu estava no ambiente certo, com as
pessoas certas, no momento certo».
3.
Tragam o vinho dos vivos, o vinho dos mortos, o vinho dos amanhãs perdidos. Não entregar o coração ao infortúnio. Nada se lucra com tristezas. O melhor remédio é pedir mais uma garrafa.
4.
Saímos de cena
lembrando uma canção do filme The Young Ones, Cliff Richard com Os Shadows
«Amanhã
Por que esperar até amanhã?
Porque amanhã
Por vezes nunca vem.»

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