domingo, 5 de janeiro de 2014

UM ESTADO DE GÉNIO


Eusébio: uma situação em estado de génio. Não se explica. Quem viu, viu. Quem não viu pergunte a quem viu... e chore.

Ferreira Fernandes

EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA (1942-2014)


Morreu o Eusébio.
Um jogador genial.
E, como na morte dos génios, seja qual for a arte, evitar lugares comuns, palavras de circunstância.
Tempos de ditadura. O Mário Castrim na Pastelaria Orion: Eusébio, sempre Eusébio e quando o Eusébio tem menisco, todos nós coxeamos.

PHIL EVERLY (1939-2014)


Morreu Phil, o mais novo dos Everly Brothers.

Tinha 74 anos, fumou toda uma vida e disso veio a morrer.

Sabia que assim era e nada terá lamentado

Na notícia do Público, Mário Lopes lembrou:


A minha geração – e não só! - não seria a mesma sem uma série de músicas e intérpretes onde os Everly Brothers têm lugar.

No Alta Fidelidade de Nich Hornby, pode ler-se:

Não há propriamente muitas canções pop acerca da morte: pelo menos canções boas. Talvez seja por isso que eu gosto de muita pop e acho a música clássica um bocado tétrica. Havia aquele instrumental do Elton John, “Song for Guy”, mas não passava de umas marteladas no piano que tanto podiam ser ouvidas no aeroporto como no mosso funeral.

Passados tempos, perdeu quase todo um dia a escolher músicas e canções que fizessem parte de um CD que os amigos poriam a rodar .na hora da morte, na hora do funeral, numa qualquer hora.

Olhou a lista no écran do computador.

Não dava para um Cd dava aí para uns 20 CDs, outras tantas mortes.

Achou tudo muito disparatado.

Fez delete e acabou por concluir que apenas uma canção, uma só, resumia tudo e todos:

Bye Bye Love dos Everly Brothers.

Assim seja!

Bye, bye love, bye, bye happiness.

sábado, 4 de janeiro de 2014

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS

CAPAS DE NATAL




Algumas capas de números de natal da The New Yorker.

MIUDEZAS DE NATAL

OLHARES


Metropolitano de Lisboa, estação das Olaias.

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Num velho documentário sobre Peter O’Toole, penso que realizado pela BBC,a determinado passo mostram uma cena de The Manor, filme de 1999, que nunca vi, do britânico Ken Berris.
.
O’Toole na pele de um alcoólico o que, dado a sua vida toda dedicada a excentricidades, lhe assentou sempre muito bem, conversa Greta Sacchi:

 - Aí estás tu, pequena fonte de sabedoria. Vem até aqui.
 - Posso ir-me embora?
 - Não, não podes! A minha vida foi dedicada à aprendizagem e a outras coisas terríveis e fiquei com muito poucas certezas. Apenas de uma coisa estou seguro: nunca devemos confiar num homem que não bebe. E o mesmo se deve aplicar às mulheres. Bebe com cuidado.
- Muito obrigada, mas não bebo.

Bom, a abertura serve apenas para vos dizer que, em Janeiro, a Cinemateca realiza, um In Memorian Peter O’Toole que começa já hoje com a exibição de Lawrence da Arábia.

Todo o cinema é para ser visto numa sala escura, mas Lawrence da Arábia, dada a sua grandiosidade, é mesmo um daqueles filmes que não pode ser visto de uma outra qualquer maneira.

Vencedor de 7 Oscars: filme, realização, direcção artística, fotografia, montagem, som e banda sonora, a distinta Academia cometeu a incrível proeza de não ter olhado a espantosa interpretação de Peter O’Toole e assim ter ajudado o seu record histórico de ter sido nomeado 8 vezes e nunca ter levado para casa o raio da estatueta.

Em 23 de Março de 2003, a Academia de Hollywood concede-lhe um Óscar honorário, entregue por Meryl Streep e Peter O’ Toole não resistiu a deixar o irónico comentário

Sempre dama-de-honor, nunca uma noiva.

LAWRENCE DA ARÁBIA

de David Lean

com Peter O’Toole, Alec Guiness, Anthony Quinn, Omar Sharif, Arthur Kennedy, Claude Rains

Reino Unido, 1962 - 187 minutos

legendado em português

Sala Félix Ribeiro

15,30 Horas

Um dos mais célebres épicos da história do cinema, que voltou a consagrar David Lean junto da Academia de Hollywood, com vários Oscars, entre eles os de melhor filme e realizador. A fotografia de Freddie Francis faz maravilhas com os desertos. No seu mais carismático papel, Peter O’Toole encarna o enigmático T.E. Lawrence, o oficial do exército inglês que conduz o povo árabe na luta contra a ocupação turca. É para o evocar que voltamos a LAWRENCE OF ARABIA na versão da reposição de 1970 que a Cinemateca tem na sua coleção.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

NOTÍCIAS DO CIRCO


O plano B para compensar o chumbo da convergência das pensões deverá passar por baixar para mil euros o montante a partir do qual as pensões serão afetadas pela Contribuição Extraordinária de Solidariedade.
Além da ampliação deste imposto serão aumentados também os descontos para a ADSE, o subsistema de saúde da Administração Pública.

Enquanto existirem idosos, pensionistas, funcionários públicos, há sempre um plano B.
Abençoados crânios!...

CAPAS DE NATAL




Algumas capas de números de natal da The New Yorker.

ILUMINAÇÕES DE NATAL





Decorações no El Corte Inglês.

A FUGA DE PENICHE



O militante comunista Francisco Miguel deixou escrito:

Nunca me conformei com a ideia de que haja alguma prisão absolutamente invulnerável.

Quando presos, a preocupação da fuga era uma constante. Escapar da prisão era um dos requisitos e uma das tarefas que o Partido Comunista atribuía aos seus militantes.

Se bem que projectados cuidadosamente, cerca de três quartos dos planos de fuga não resultaram. Resta um quarto desses planos e nesse número estão as Fugas de Peniche: uma em 3 de Janeiro de 1960, outra em Dezembro de 1961

Álvaro Cunhal chegou a Peniche no Verão de 1956.

Em Janeiro de 1960, juntamente com outros camaradas de Partido, Carlos Costa, Francisco Miguel, Guilherme Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Martins Rodrigues, saltou as muralhas

A operação de fuga começou a desenrolar-se ao som da 6ª Sinfonia de Tchaikovsky.
A Patética tocava num gira-discos que os guardas tinham autorizado Humberto Lopes a utilizar na sua cela numa conjuntura de descompressão da disciplina prisional. (1).

Dentro do Forte, a fuga contou com a colaboração de Jorge Alves, guarda da GNR.

Como não tinha quaisquer convicções políticas o Partido ofereceu-lhe 200 contos, para a época uma pequena fortuna, e foi isso que o fez colaborar.

Meu amigo isto é dinheiro da calasse operária e dinheiro que custou muito aos trabalhadores. Está todo nas suas mãos. Esperamos que você mereça a confiança que depositamos em si.

Segundo José Pacheco Pereira, o principal factor de sucesso fora a capacidade de preparação minuciosa dos militantes presos e a sua coragem e sangue-frio face a todas adversidades. Mesmo que, por qualquer motivo, a fuga tivesse sido abortada na sua segunda fase – o trajecto para os esconderijos na zona de Lisboa –, nem por isso deixaria de poder ser considerada um enorme sucesso político para o PCP e um momento alto contra o regime de Salazar. Poucas fugas de carácter político se lhe podem comparar, mesmo incluindo as mais célebres fugas ocorridas durante a II Guerra Mundial. Na história do movimento comunista, é um acontecimento ímpar. (2).

Fontes:
(1)   Álvaro Cunhal, Retrato Pessoal e Íntimo, Adelino Cunha, A Esfera dos Livros, Lisboa Novembro de 2010.


(2)   Álvaro Cunhal, Uma Biografia Política, 3º volume, Temas & Debates, Lisboa Novembro de 2005..



Abandono
Poema de David-Mourão Ferreira
Música: Alain Oulman


Por teu livre pensamento
Foram-te longe encerrar
Tão longe que o meu lamento
Não te consegue alcançar
E apenas ouves o vento
E apenas ouves o mar
Levaram-te a meio da noite
A treva tudo cobria
Foi de noite numa noite
De todas a mais sombria
Foi de noite, foi de noite
E nunca mais se fez dia.

Ai! Dessa noite o veneno
Persiste em me envenenar
Oiço apenas o silêncio
Que ficou em teu lugar
E ao menos ouves o vento
E ao menos ouves o mar.

MIUDEZAS DE NATAL

O SALVADOR DE LIVROS


A páginas 148 de A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón, alguém observa: por que se queimam os livro? Por estupidez, por ignorância, por ódio… vá-se lá saber.

Num livro de Andrew Walker, sobre o julgamento de Nuremberga, um dos factos a que se aludiu no julgamento foi a queima por soldados e oficiais alemães da biblioteca de Tolstoi para se aquecerem. Quando alguém objectou, um oficial alemão respondeu que gostava de se  aquecer à luz da literatura russa.

Corria o ano de 2010 quando os jornais noticiaram o que de há muito se sabia ser  prática regular e generalizada de algumas editoras que, por falta de espaço para armazenamento, também pelos custos desse espaço, destruíam livros.
Foi o caso que o grupo editorial Leya acabara de guilhotinar dezenas de milhares de exemplares de  96 títulos de diversos autores, entre eles livros de Eugénio d’Andrade, Jorge de Sena, Vasco da Graça Moura, Maria Teresa Horta.

Um director do grupo apressou-se a dizer que os livros não tinham ido para o lixo, foram destruídos para reciclagem, para obter papel.

Gabriela Canavilhas era ao tempo ministra da cultura do governo de José Sócrates e chamou-lhe um massacre prometendo envidar esforços para que, a curto prazo,  fossem encontradas soluções tal crime.

 Faltavam escassos dias para o Natal de 2012, quando mão amiga me enviou uma mensagem  que, enrtetanto, recebera do jornalista Joaquim Vieira:

As editoras Círculo de Leitores e Bertrand comunicaram-me que vão destruir sobras de alguns livros de que fui autor ou que dirigi, pertencentes às colecções Portugal Século XX  e Crónica em Imagens e Fotobiografias do Século XX.

 Os títulos são os seguintes:

 - Fotobiografia de Fernando Pessoa (texto de Richard Zenith)
- Fotobiografia de Amadeo de Souza-Cardoso (texto de Margarida Magalhães
  Ramalho e Margarida Cunha Belém)
- Fotobiografia de Amália Rodrigues (texto de Cristina Faria)
- Fotobiografia de Amélia Rey Colaço (texto de Júlia Leitão de Barros)
- Fotobiografia de Vasco Santana (texto de Luís Trindade)
- Fotobiografia de Joshua Benoliel (texto meu)
 - Portugal Século XX - Anos 40 (texto meu)
- Portugal Século XX - Anos 50 (texto meu)
- Portugal Século XX - Anos 60 (texto meu)
- Portugal Século XX - Anos 70 (texto meu)

O preço de mercado destes livros, com 200 páginas cada (216 no caso do Portugal Século XX), capa dura, sobrecapa, formato de 30 cm x 24 cm, papel couché, amplamente ilustrados, é de 35 euros.

As duas editoras deram-me a opção de adquirir os exemplares para abate a um valor muito baixo, e, porque me custa assistir à destruição de livros, resolvi adquirir algumas quantidades e disponibilizá-los a quem os quiser adquirir ao preço de 6 euros cada.

Lembrei-me de que, nos tempos que atravessamos, estes livros podem ser interessantes prendas de Natal adquiridas a muito baixo custo.
.
Não tenho qualquer notícia das soluções governamentais encontradas, se é que as houve, para evitar a destruição de livros.

Nunca entendi muito bem por que o governo não adquire os livros em vias de destruição, a preços razoáveis e os envia  para escolas, hospitais, prisões, outras instituições.

Contudo, é gratificante saber dos cuidados de Joaquim Vieira em encontrar um final feliz para os livros que orientou, escreveu e estavam em vias de destruição.

Grande parte destes livros sempre os quis adquirir, mas encontravam-se em patamares fora do orçamento familiar.

Agora, imaginem o brilho dos meus olhos naquele Natal de 2012.

Chamei-lhe um Natal feliz.

ALTA PROFICIÊNCIA


4 de Janeiro de 1969

A 27 de Dezembro, a equipa médica que assistia Salazar, na sua maior parte, foi substituída.

Um despacho do titular da pasta da Saúde assinalava que ultrapassada a fase aguda da doença, que entrou no período de cronicidade» louvava publicamente os dr. António Vasconcelos Marques, prof. Almeida Lima e dr. Miranda Rodrigues que tinham«terminado a sua valiosa actuação junto do Presidente Salazar.

Nos princípios do ano de 1969, em cerimónia efectuada no Palácio de Belém, Américo Tomás impôs as insígnias de grande oficial e de comendador da Ordem de Cristo, respectivamente, ao Dr. Vasconcelos Marques e Drª. Cristina Castro.

Américo Tomás antecedeu a imposição das insígnias, de improviso proferiu breves palavras.

O recorte é do Notícias de Portugal:

Fazia-o por entender ser seu dever distinguir duas pessoas que mostraram a sua alta proficiência pelos factos que ocorrerem e por uma dedicação sem limites, de que ele próprio Chefe de Estado, fora testemunha.
O sr. Presidente da República afirmou depois que por cinco vezes o Presidente Salazar pareceu ir deixar-nos, mas em todas elas os esforços da equipa clinica, com a resistência física do doente, permitiram vencer a morte.

Legenda: Aspecto da condecoração dos dois médicos, que se vêem à esquerda.


Fotografia e legenda do Notícias de Portugal nº 1132

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

CAPAS DE NATAL


Algumas capas de números de Natal da The New Yorker.

ILUMINAÇÕES DE NATAL


Para surpresa minha a Rua do Carmo não tiem iluminações de Natal.
As únicas que se podem ver são as do edifício dos Grandes Armazéns do Chiado.


Não havia iluminações, mas podia ver-se aglomeração de gente em redor de um vendedor de castanhas à espera que elas saíssem quentes e boas.

PASSOS DA TAL MORTE ANUNCIADA


 2 de Janeiro de 1969

O Notícias de Portugal, a exemplo da Consoada, também nada diz de como o ditador passou o último dia do seu horrível ano, nem como começou o novo que, lhe trará uma constante de morte anunciada, mas sempre adiada e que só ocorrerá pelo Verão de 1970.

Do findar de 1968 escreve José Gomes Ferreira nos seus Dias Comuns:

Último dia do ano de 1968, tão importante na Vida Portuguesa, em virtude da queda de Salazar e da ascensão do Marcelo Caetano ainda bastante infirme no trono – dizem.
Pelo menos ele faz constar isso nos meios da Oposição aonde chegam lamentos deste género:
- Só tenho o apoio do Presidente da República. E não me admiraria que, em breve, começassem a prender, não só os oposicionistas, mas até os meus colaboradores.
Por outro lado, sabe-se que os chamados «ultras» não perderam as esperanças de baldear o Marcelo a quem consideram traidor. O último Agora, como não pode desfeiteá-lo cara a cara, ataca o Mello e Castro, Presidente da União Nacional, pertencente à esquerda (?) do Regime.

De resto a mesma notícia que há meses tem vindo a ser repetida: estado de saúde com melhoras assinaláveis, inúmeras visitas que as altas figuras do regime, diariamente, ou quase, vão fazendo, as missas que um pouco por todo o país se vão realizando pelas melhoras de sua excelência.

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS

AS MINHAS CANÇÕES DE NATAL


What a Wonderful World
Louis Armstrong.

Nada mais é preciso dizer.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

NOTÍCIAS DO CIRCO


O Presidente da República dirige-se logo à noite ao país, na tradicional mensagem de Ano Novo, mantendo-se a dúvida sobre se irá suscitar a fiscalização do Orçamento do Estado para 2014, que entrou hoje em vigor.
A mensagem de Ano Novo de Aníbal Cavaco Silva será transmitida hoje pelas 21:00, um dia após ser conhecida a promulgação do Orçamento do Estado para 2014, decisão que foi saudada pela maioria PSD/CDS-PP e criticada pelos partidos da oposição.

Dos jornais

Legenda: um outro presidente-totó, lendo, Janeiro de 1969, a mensagem de Ano Novo

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS

ILUMINAÇÕES DE NATAL



Rua Garrett.

UMA FORMA DE RESISTÊNCIA


Os jovens são frequentemente gente de fé (se a Natureza fosse para aqui chamada, diria que «naturalmente»). Embora «os» jovens seja apenas um conceito e bem saiba que «é preciso, imperioso e urgente» desconfiar dos conceitos. Na Natureza não há conceitos, há indivíduos, e mesmo esses são seres mutantes, desiguais de si mesmos. Pensamos com conceitos, mas o pensamento é um exercício de cepticismo. E algo que, pensando, se aprende é a ser céptico em relação aos conceitos.
Acreditei em muitas coisas ( e, hélas!, em muitas pessoas) na juventude. Muitas das coisas e conceitos em que acreditei tinham afinal um rosto sórdido, e a mair parte das pessoas em cuja fé confiei desertou, desistiu de «transformar o mundo e mudar a vida» e anda hoje por aí a tratar da «vidinha».
Tudo se desmoronou? Não. Como nos livros de Astérix, uma pequena aldeia resiste ainda e sempre ao invasor, a da amizade (que é o mais elevado modo do amor). E, a família, essa particular espécie de amizade. Sobre tão frágil e melancólica pedra, ou sobre o que dela resta, «construirei a minha igreja». A amizade (um conceito, eu sei) é, nestes dias, uma forma de resistência, talvez a mais radical de todas. Por isso quis que esta primeira crónica do ano fosse sobre a amizade.

Manuel António Pina, crónica que publicou no Jornal de Notícias de 1 de Janeiro de 2007 e copiada de Crónica, Saudade da Literatura

MIUDEZAS DE NATAL

É miniatura mas não é de de Natal.
Acho-lhe tanta graça que não resisti a colocar esta delícia por aqui.
Um casal de mexicanos, sentados num banco de jardim, que a Cristina e o Miguel me trouxeram das suas férias mexicanas.
Bom Ano, se tanto nos é permitir desejar!