quinta-feira, 3 de novembro de 2011

GOLPES E CONTRAGOLPES



Os primeiros dias de Novembro de 1975, encontram o país envolvido num mar de boatos. 

E do mais variado tipo de notícias dando conta de golpes e contragolpes.

Nas paredes da maior parte das cidades podem ler-se palavras de ordem como Não à Guerra Civil.

Começavam os tempos da contagem de espingardas.

Nos últimos dias de Outubro, em conferência de imprensa, com a presença de Isabel do Carmo, Carlos Antunes e quatro elementos embuçados das Brigadas, é feito o anúncio de que  as Brigadas Revolucionárias, braço armado do P.R.P. passavam m à clandestinidade, ao mesmo tempo que declaravam estar em condições de defender a revolução.

A situação política, marcada por uma nítida viragem à direita assim o obriga.

Consideramos que este é o tempo de as brigadas passarem outra vez à clandestinidade. Esperemos que seja por pouco tempo

Na edição do Diário de Notícias de 3 de Novembro, Mário Ventura, desenhava mais uma pincelada no quadro negro dos dias que corriam, e alertava:



Desde o acto golpista de Tancos, tragigrotesco no seu aspecto formal – o que só se deve à inteligência de quem o promoveu -, que afastou Vasco Gonçalves da condução do processo revolucionário, até aos mais recentes saneamentos à esquerda no seio das Forças Armadas, a contra-revolução tem andado depressa e ganha animo para maiores voos
.
O golpe de direita vem depressa de mais – e nem se pode dizer que a culpa seja exactamente da direita, que tem sabido esperar, pacientemente, o agudizar das contradições. A culpa cabe, como sempre, aos moderados e descontentes, aos que embarcaram na revolução sem ânimo e sem perspectivas, aos que perdem privilégios ou receiam vir a perdê-los, aos que mecanicamente decoraram a palavra socialismo sem cuidarem de saber o que ela precisamente significava.


Legenda: títulos do República de 23 de Outubro e do Diário de Notícias de 3 de Novembro

Sem comentários: