sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

DA MINHA GALERIA


Em Maio de 1967, não tinha dinheiro nem para mandar cantar um cego.

Foi essa mera circunstãncia que me impediu, no dia 19 de Maio, uma sexta-feira, de assitir ao show de Sammy davis Jr. no Monumental.

Já não lembro quanto custava o bilhete mais barato, 3º balcão pois claro, mas não deu mesmo.

Segundo o José Duarte, em 1967 um ordenado razoável andava à volta de cinco mil escudos, a plateia custou-lhe quatrocentos e foi por isso, que uma vez sem exemplo, os bilhetes foram vendidos a prestações! Duas!

Por essa altura já tinha recebido guia de marcha para assentar praça no CISMI em Tavira, o que veio a acontecer a 10 de Julho.

Havia que guardar os tostões para as viagens que teria que fazer para vir passar o fim de semana a Lisboa – quase seis horas de viagem em camioneta, ainda sem auto-estradas.

Foi a única vez que Sammy Davis Jr. veio a Portugal.

A 16 de Maio de 1990, em Beverly Hills, morreu de cancro na garganta.

Esta é a página 61 de O Século Ilustrado de 13 de Maio de 1967, onde se fala desse espectáculo em que, ainda segundo José Duarte, Sammy exibiu a arte de fazer música com os pés.

A história de Sammy Davis é a história de um negro que triunfa nos Estados Unidos, De um negro ainda por cima judeu, e coxo e cego de um olho, que graças a um talento sem igual para o «music-hall. A história de Sammy Davis, esse dançarino-músico-actor-cantor que vem actuar na próxima semana a Lisboa. É a história de uma excpeção, e ele próprio a conta numa autobiografia que publicou recentemente – intitulada «Yes I Can», «Sim, eu posso».

Transcreviam-se alguns pedaços dessa autobiografia, possivelmente ditada, porque Sammy Davis era praticamente analfabeto.

Aproveito este pedaço, o dia em que Sammy conheceu Frank Sinatra, o dia em que ficaram íntimos amigos, novamente José Duarte, companheiros de tudo e mais alguma coisa.

Foi mais ou menos por essa altura que conheci Frank Sinatra. Conheci-o de uma maneira muito simples: estava nos estúdios com o meu pai quando um rapaz dos sesu vinte anos se chegou a nós dos seus vinte anos de mão estendida e nos disse:: «Viva! Sou Frank Sinatra. Canto com a orquestra de Dorssey.».

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