quinta-feira, 8 de novembro de 2018

SARAMAGUEANDO


«Tu estavas, avó, sentada na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabias e por onde nunca viajarias, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e disseste, com a serenidade dos teus noventa anos e o fogo de uma adolescência nunca perdida: «O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.» Assim mesmo. Eu estava lá.»

José Saramago em As Pequenas Memórias.

Era para se ter chamado O Livro das Tentações mas acabou por ficar As Pequenas Memórias.

Saramago «queria que os leitores soubessem de onde saiu o homem que sou.»

Simplesmente: um livro notável.

«Penso que devo tudo o que sou àquela criança. Foi ela o meu arquitecto.»

Não memórias, mas uma certa memória.

«A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam.»

Legenda: capa de As Pequenas Memórias publicado pela Porto Editora. A caligrafia da capa é da autoria de Gonçalo M. Tavares

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