quarta-feira, 30 de abril de 2014

AMANHÃ É DIA DE FESTA



30 de Abril de 1974


Foi há 40 anos.

Foi ontem.

Se quiser andar às voltas com a História, escolho este dia como a Hora H do arranque do 25 de Abril, o dia em que o livro de General António de Spínola,Portugal e o Futuro, apareceu nos escaparates das livrarias.

Para trás ficaram as muitas reuniões que os capitães foram realizando até chegarem à que aconteceu, 9 de Setembro de 1973, em Alcáçovas, onde é dada a picadela no elefante adormecido e fundado o Movimento dos Capitães.

A partir desse dia, e até hoje, fui deixando por aqui o dia-a-dia do estertor da ditadura que durante 48 anos nos oprimiu.
Servindo-me de memórias, de um limitado arquivo com recortes de jornais, fui juntando citações de alguns livros, a reprodução de algumas de canções que marcaram um tempo de luta.
Ficaram pedaços de 99 dias daqueles anos de 1974.
Para mais não deu o curto e medíocre engenho.

Sexto dia da nossa vida em liberdade.

Esta é a primeira página do República.
Constante das notícias deste dia, o regresso a Lisboa, vindo do exílio, de Álvaro Cunhal.
Nas páginas interiores podia ler-se que certa gente começava a deixar as garras de fora.



Na 1ª página de A Capital uma fotografia mostrava a ex-comissária da Mocidade Portuguesa Feminina a entregar a José Manuel Tengarrinha a chave das instalações onde passaria a ficar sediado o M.D.P:


Começavam a aparecer os primeiros desmentidos de pessoas que eram acusadas de terem sido informadores da PIDE-DGS.


O Diário de Lisboa informava que, por ser feriado nacional, no dia 1 não havia pão.


Na última página a notícia de que o pide Sachetti foi preso quando tentava passar a fronteira em Valença.
No Porto, um ex-pide suicidava-se.



Em todas os jornais podem ler-se chamadas de atenção para que, nas manifestações do 1º de Maio, o povo e os trabalhadores, tivessem cuidado com eventuais provocadores.
Esta veio publicada no Diário Popular:


Na véspera, na RTP, Sá Carneiro deu uma entrevista com um blá-blá-blá de que Mário Castrim não gostou muito, e escreveu:


Sim, amanhã é mesmo dia de festa.
Com ironia, Mário Viegas dirá que o 25 de Abril dele acabou no dia 2 de Maio.
Alguém, que não recordo agora o nome, disse que do 25 de Abril até ao 1º de Maio devo ter dormido, mas não me lembro. Na verdade, o dia mais longo da minha vida não foi bem um dia: começou naquelas horas vertiginosas do dia 25, até ao 1º de Maio, e que continuaram a sê-lo durante uns meses.
Por fim, uma outra citação anónima:
Quem não viveu, esqueceu ou renunciou às delícias das ilusões desses grandes dias nunca vai conhecer o exacto perfume das flores.

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