domingo, 29 de novembro de 2015

OS IDOS DE NOVEMBRO DE 1975


29 de Novembro de 1975

O Estado-Maior-General das Forças Armadas, em comunicado, incita a população a descobrir o paradeiro do Capitão Fernandes.


O Almirante Rosa Coutinho demite-se do Conselho de Revolução por entender que, face à contestação que sofre de certos políticos, a sua permanência poderá dificultar a respectiva aceitação geral.

Por decisão do General Costa Gomes, foi nomeado para o cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada o contra-almirante Augusto Souto Silva da Cruz, que substitui o contra-almirante Filgueira Soares.

Em Lisboa, pelo quarto dia consecutivo não há jornais.

Uma onda de boatos e de notícias desencontradas e contraditórias, espalha-se pela cidade.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas emite um comunicado:


O ministro da Administração Interna, em nota oficiosa, dá ordem de despejo ao M.E.S. – Movimento de Esquerda Socialista, das instalações que vinha utilizando como sede  e que, no tempo da ditadura, fora sede da ANP – Acção Nacional Popular.

O Presidente da República, acompanhado por Pinheiro de Azevedo, Vasco Lourenço e Melo Antunes, dirigiu-se ao Regimento de Comandos da Amadora para enaltecer a actuação daquele grupo militar durante os acontecimentos de 25 de Novembro.

No seu discurso, Jaime Neves, mostra-se descontente.

O Regimento de Comandos, nesta altura, ainda não se encontra satisfeito. Pensa que há muito mais a fazer e está firmemente determinado a ir até ao fim. O meu general pode contar com ele para ver o povo português satisfeito de uma vez para sempre.

Calcula-se que no Forte Militar de Custóias, estejam detidos cerca de 120 oficiais das Forças Armadas, pretensamente envolvidos no 25 de Novembro.

Os detidos reclamam da situação de incomunicabilidade em que se encontram, da qualidade da alimentação, do estado das celas prisionais e a impossibilidade de terem um banho diário.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas reconhece que as instalações são deficientes e encontram-se um tanto deterioradas, reconhece ainda que não existem sanitários privativos e que apenas pode assegurar aos detidos, a possibilidade de banho duas vezes por semana.

É levantado parcialmente o «estado de sítio» na área da Região Militar de Lisboa.

Fontes: 
- Acervo pessoal.

Legenda: capa do livro Portugal Nem Tudo Está Perdido da autoria do Capitão Fernandes, Edições Ulmeiro, Lisboa, Abril 1976.

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