domingo, 29 de novembro de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


Na passada quinta-feira morreu Beatriz da Conceição, uma das grandes senhoras do Fado.
Tinha 78 anos.
Neste domingo recordo-a numa das suas mais sentidas interpretações: O Meu Corpo, poema de José Carlos Ary dos Santos para música de Fernando Tordo.


Meu corpo, é um barco sem ter porto
Tempestade no mar morto
Sem ti
Teu corpo, é apenas um deserto
Quando não me encontro perto
De ti

Teus olhos, são memórias do desejo
São as praias que eu não vejo
Em ti
Meus olhos, são as lágrimas do tejo
Onde eu fico e me revejo
Sem ti

Quem parte de tal porto nunca leva
As saudades da partida
E as amarras de quem sofre
Quem fica é que se lembra toda a vida
Das saudades de quem parte
E dos olhos, de quem morre

Não sei, se o orgulho da tristeza
Nos dói mais do que a pobreza
Não sei...
Mas sei, que estou pra sempre presa
À ternura sem defesa
Que eu dei

Sozinha, numa cama que é só minha
Espero teu corpo que eu tinha
Só meu
Se ouvires o chorar duma criança
Ou o grito da vingança
Sou eu

Sou eu, de cabelo solto ao vento
Com olhar e pensamento
No teu
Sou eu, da raiz do pensamento
Contra ti e contra o tempo
Sou eu

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