terça-feira, 21 de março de 2023

GRANDE DEMAIS

Aquele poema de Vivicius de Moarais «Se todos no mundo fossem iguais a você».

Na despedida de Rui  Nabeiro ficar a pensar como seria este país se todos fossemos como o Sr. Rui.

Na onda de textos e afirmações sobre a sua morte, apanhei este de Vitor Serpa no jornal «A Bola»:

«Julgo que a primeira vez que me encontrei com o comendador Rui Nabeiro foi na viagem do Benfica para Estugarda, para jogar a final dos Campeões Europeus com o PSV, em maio de 1988. Nesse tempo, os jornalistas viajavam nos aviões e nos autocarros com os jogadores e com toda a comitiva que, incluía, em todos os clubes, convidados especiais, desde empresários a juízes de direito. Rui Nabeiro tinha aceite o convite do Benfica, clube de que era adepto, e, ainda durante o voo para a Alemanha, ofereceu a cada senhora, que viajava no avião, um grão de café em ouro.

Sorte da família de Eusébio, porque ia a Flora e as duas filhas…Mais tarde, dez anos depois, tive o prazer de partilhar a mesma mesa, no jantar oficial de inauguração da Expo de Lisboa. Foi um momento propício para uma conversa mais longa e animada, que marcou o início de uma amizade, que se manteve pelo tempo fora.

De uma simpatia encantadora, uma humildade genuína e não fabricada para efeitos de marketing, uma permanente preocupação com as pessoas e com o desenvolvimento do Alentejo, Rui Nabeiro tratava-me sempre da mesma forma: «Amigo Vítor«, antes e depois de eu ter assumido o cargo de diretor de A BOLA.

Juntámos famílias em encontros memoráveis, um deles, num jantar em sua casa de Campo Maior, num convívio sempre saudável e nunca marcado por segundos interesses. Quando o Campomaiorense chegou à primeira divisão, foi um motivo de especial alegria para Rui Nabeiro. Deixou o seu filho, João, na condução do clube, mantendo, como fazia em todos os seus setores de atividade, um controlo sobre os princípios e os resultados.

Em breve, ficaria profundamente desanimado com o futebol português e muitas vezes me confessou que não entendia, nem como empresário, nem como cidadão, nem, mesmo, como adepto de futebol, como era possível que os responsáveis pela competição profissional no futebol português permitissem e quase promovessem a mentira e a total ausência de compromisso com a verdade desportiva, deixando passar sem punição os clubes que contratavam jogadores e não lhes pagavam, o que contribuía para terem melhores equipas do que o Campomaiorense, que cumpria religiosamente todos os seus compromissos com jogadores e treinadores.

Quando o Campomaiorense desceu de divisão, fortemente prejudicado pela sua condição de cumpridor dos acordos firmados com os seus profissionais, Rui Nabeiro deixou de pensar no sonho de manter, até em condições de candidatura a uma competição europeia, uma equipa de futebol profissional no Alentejo. De facto, Rui Nabeiro era grande de mais para esse futebol…»   

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