segunda-feira, 7 de novembro de 2011

POSTAIS SEM SELO


Portugal vive empenhado em pagar direitos de autor a cavalheiros que escrevem uns livros vagamente parecidos com romances, e  as senhoras que – se vivessem noutra é poça – resolveriam o problema com uma ida mais frequente ao confessionário. Diante do vastíssimo número de escritores de hoje em dia, o velho doutor Homem, meu pai, colocaria a hipótese de chamar pela polícia de costumes, uma velharia já no seu tempo. Mas a intenção fica. A vida não acaba, como filosoficamente considerava o tio Alberto, mas os ecritores multiplicam-se bravamente. Por mim, leio cada vez mais devagar e tenho de escolher os livros da mesa-de-cabeceira.

António Sousa Homem, de uma crónica no Diário de Notícias s/d

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