terça-feira, 27 de abril de 2021

JOGOS INTERMINÁVEIS



Detemo-nos hoje no segundo episódio recortado do trabalho publicado por Patrícia Carvalho no Público.

Do que nesse trabalho se lê, ressalta sempre a solidão daqueles homens e a dura luta para a ultrapassar.

O grasnar sempre presente das gaivotas, entre outos sons ligados ao mar, permitia aos presos imaginar a paisagem que os rodeava.

António Borges Coelho, que também esteve preso em Peniche, tem um poema, Sou Barco em que diz:  ouço o fragor da vaga sempre a bater ao fundo, escrevo, leio, penso, passeio neste mundo de seis passos e o mar a bater ao fundo, poema para o qual Luís Cilia fez música, depois cantado pelo próprio Cilia e por Adriano Correia de Oliveira.

Adelino Pereira da Silva, o protagonista do episódio de hoje, foi condenado a 3 anos de prisão maior e medidas de segurança. Na cadeia de Peniche é colocado, isolado, na cela 4 do pavilhão B. É despojado de tudo, apenas tem a roupa que trazia vestida, mais os sapatos. Não tinha nada para escrever, nada para ler. Para se distrair, construiu dois jogos de xadrez com miolos de pão e jogava sozinho, horas a fio.

Jogos intermináveis.

Sem comentários: