domingo, 13 de junho de 2010

BOLAS PR'O PINHAL!

Albert Camus dizia que o melhor que sabia sobre a moral e as obrigações dos homens o devia ao futebol.

José Luís Borges dizia que “O futebol é fundamentalmente ignóbil e agressivo, desagradável e comercial”Augusto Abelair, por seu turno, adiantava que se o futebol “estivesse por inventar seria eu a inventá-lo”.Mário de Carvalho numa velha entrevista ao suplemento “Mil Folhas” do “Público” disse que a maior alegria que me podiam dar era proibir a porcaria do jogo da bola e meter na cadeia essa pardalada.”Aquando do Euro 2004 o JL (09.06.2004) dedicou um dos seus números ao acontecimento. Mário de Carvalho foi um dos intelectuais chamados a opinar. Num artigo brilhante a que chamou “Vejam lá no que nos metem”, arrasou a tirania da bola e dos seus mandarins.
Na impossibilidade de o transcrever na íntegra ficam alguns excertos:

“Estamos perante uma das mais monstruosas manobras de aviltamento e rebaixamento de que há memória em Portugal. Aproxima-se o campeonato europeu da bola e os meus concidadãos, manipulados pela propaganda, mostram-se rendidos, servis, e ovantes. Gente ponderada e séria vai na onda, ou por medo das ralés, que vociferam e ameaçam, ou por aceitar aristocraticamente que será preferível elas esgadanharem-se por causa da bola que desatarem guerras civis e outras sangueiras. Até este jornal, que tem tradições e de que se esperaria uma atitude de resistência crítica, vai embandeirar com o alvoroço do momento.
(…) Alguém ignora que concentrar na bola a “projecção internacional do nosso país”, é pura traição? Alguém pensa que Portugal minimamente se prestigia através de desafios de futebol? Alguém supõe que o lastro de subdesenvolvimento, de analfabetismo, de incompetência, de desleixo, por que têm sido responsáveis sucessivos governos, se compensa com chutos e alaridos? Alguém, no seu perfeito juízo, acha que um epíteto como “Portugal, país do futebol” é honroso lá fora? Alguém reduz a “nossa ambição” aos pífios efeitos de piruetas circenses?
Estas enfáticas perguntas têm infelizmente respostas sim. Para as nossas desvalidas elites muito difícil é resistir ao apelo do Terceiro Mundo. É uma querença natural. Só nessas imediações se sentem bem. O demais é difícil, exigente, complicado e fora do alcance”.


Legenda: Seguindo a ideia do formato do “Borda D’Água” a “Associação Abril em Maio”, por alturas do Euro 2004, fez publicar “Euroxuto”, uma paródia que pretendia “contrariar a já vigente brutalização mediática, idólatra e encomiástica, e fornecer alguns dados e algumas pistas de reflexão.”

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