QUOTIDIANOS
Pedro Neves pôs o
candeeiro de petróleo em cima duma cadeira poeirenta. Emagrecer, o rosto
parecia alongar-se na sombra projectada na parede branca. Reprimiu um gesto,
talvez uma palavra.
- Comprendo. Exponha-se
o menos possível, peço-lhe. Se ninguém vem aqui…
- Não, ninguém. Só eu.
- … o esconderijo
parece seguro. Mas são só dois dias, o máximo três.
Apertaram as mãos com
muita força. Antes de fechar a porta, Judite voltou-se para ele.
- Que cigarros fuma?
-
Unic.
- Tem graça, são os do
meu pai, Trago-os amanhã.
E sorriu.
Álvaro Guerra em Café República
O
meu pai também fumava cigarros Unic, tabaco negro. Três maços
por dia, cigarros que o ajudaram a viver e acabaram por o matar.
Legenda: imagem tirada de Tododcoleccion
Texto
publicado em 11 de Junho de 2018

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