Não perceberão as
pessoas que atravessamos um momento perigosíssimo?
Mário
de Carvalho
Um dos mais extraordinários intelectuais portugueses.
Teve que se exilar, onde passou uma autêntica vida de cão.
A leitura de alguns diários de escritores seus contemporâneos, os seus próprios diários, a correspondência com José Augusto França e Sophia, mostram um Jorge de Sena de uma verticalidade e honestidade intelectual tão pouco existente entre os seus pares.
É uma pena que este "país de sacanas" teime em não conhecer a sua obra e o seu exemplo.
1.
«Neste abençoado país,
todos os políticos têm imenso talento. A oposição confessa sempre que os ministros,
que ela cobre de injúrias, têm, à parte os disparates que fazem, um talento de
primeira ordem! Por outro lado, a maioria admite que a oposição, a quem ela
constantemente recrimina pelos disparates que fez, está cheia de robustíssimos
talentos! De resto, todo o mundo concorda que o país é uma choldra. E resulta,
portanto, este facto supracómico: um país governado com imenso talento que é de
todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado! Eu
proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma
vez os imbecis!»
Eça de Queirós em Os Maias.
2.
A
lista de 37 detidos pela Polícia Judiciária no âmbito da operação que
desmantelou as chefias do Grupo 1143 tem, pelo menos, três nomes de militantes
do Chega que já foram candidatos pelo partido de André Ventura em eleições. Também
um sargento da força aérea, um polícia do comando de Setúbal ,um profissional
de saúde, três militantes ou ex-militantes e candidatos do Chega, dois
candidatos pelo partido de extrema-direita Ergue-te e PNR, Participantes em
mesas de voto em diversas eleições. Um condenado por furto, um jogador de rugby
com processos disciplinares por agressões, um membro dos Super Dragões
condenado num processo por causa de um plano de intimidação que culminou em
agressões e estão indiciados por crimes
de discriminação e incitamento ao ódio e à violência.
3.
No
fim de 2025 mais de 1,5 milhões de pessoas não tinham médico de família.
4.
«No
autocarro, uma mulher conta a outra que perdeu o marido há pouco tempo.
Silêncio. A segunda, para a encorajar, diz: «Mas a vida continua.» A primeira
comenta: «A vida continua, mas continua muito mal.»
Rui Manuel Amaral em Bicho Ruim
5.
«Não há destinos
adivinhados para as personagens que vivem em solidão. O seu futuro é incerto e
a tragédia está sempre à espreita.»
6.
«…é a velha história, demora-se muito tempo a ver bem um filme.»
7.
Disse
Ruy Belo: uma casa é a coisa mais séria da vida, e João Miguel Fernandes
Jorge: a casa é onde temos o coração, ou como refere Emily Dickinson, a
poesia é possibilidade, “uma casa mais justa que a prosa”.
8.
Um
mundo sem música, sem livros e sem memória.
Seria
o maior pesadelo que me poderia acontecer.
«Tinha nove anos. Os meus pais eram comunistas: «a
nossa senha é Salgado Zenha», naturalmente. Levava para a escola primária dos
Olivais autocolantes com um Z.
Desde cedo, aos seis anos, que ia a pé para a escola,
quinze minutos de deslocação com um colega e amigo. Éramos miúdos e estávamos
por todo o lado, por toda a cidade.
Lá estava a inscrição na parede ao pé de casa: «Não à
lei Barreto/77». Havia política por todo o lado. Hoje também há, mas é mais
invisível, mais elitista, menos democrática. E isto já não é bem um país, como
sabeis, dada a perda, sempre reversível, de soberania. Ainda é uma pátria. Mas
não há crianças nas ruas, aos bandos. Envelhecer deve ser isto. Prossigamos.
Os meus colegas de direita tinham todo o tipo de
bugigangas do Freitas do Amaral, dizia-se que era a primeira campanha «à
americana». Na sua autobiografia, Freitas do Amaral, já agora, usa o termo
neoliberal para descrever as suas orientações e as do seu CDS. Sim, sou um
respigador destes usos de uma palavra que alguns ainda rejeitam de forma
ignorante.
Invejava os meus amigos de direita secretamente. Uma
vez fui passar a tarde a casa do Pedro e fomos com a mãe dele às compras. De
passagem, fomos dizer olá à avó, que estava a trabalhar numa sede de campanha
do Freitas, ali na Cruz de Celas. A avó queria dar-me um sortido kit de
campanha: «este menino é do Zenha», antecipou a mãe. Pois sou, confirmei, como
se uma meta-preferência ético-política contrariasse a preferência imediata pela
cor, pelo plástico.
Irritava-me o hino de Freitas do Amaral, o do «prá frente
Portugal», que me ficou no ouvido até hoje, tal como o do «pão, paz, povo e
liberdade» do cavaquismo ascendente. O Rafael, o meu melhor amigo, era do PSD e
eu, aparentemente, tinha-o apodado de «fascista» quando soube disso, no dia em
que nos conhecemos, fazia três anos. Conta essa história até hoje, mas eu não
me lembro. A memória depende de outros, como tudo na vida. Aprende-se,
imitando, claro.
Lembro-me de ir a um entusiasmante comício de Salgado Zenha, que julgo ter sido no Teatro Avenida. Estava a abarrotar. Agitei uma bandeira com alegria, como ainda hoje gosto tanto de o fazer. O Teatro já não existe, substituído há muito por um mamarracho hediondo.
Lembro-me de se achar que Maria de Lurdes Pintassilgo
só servia os interesses da candidatura de Soares. Soares, esse sim, era odiado.
O meu pai tinha sido advogado sindical na última década antes das eleições, a
da queda brutal do peso dos salários no rendimento nacional depois do grande
avanço do glorioso PREC.
Chorei no domingo da primeira volta, sempre tive a
lágrima fácil: «perdeu-se uma batalha, mas não se perdeu a guerra», consolou-me
o meu pai, ao mesmo tempo que dizia que jamais votaria em Soares. «É claro que
vamos votar no Soares», disse a minha mãe, antecipando a deliberação coletiva
proferida por Álvaro Cunhal.
Andei então com um autocolante de Soares e tive mais
companhia no recreio nessa altura. A seguir, logo em 1987, Soares foi Soares,
nunca se pôde confiar nele, realmente. Mas a unidade possível era função do
inimigo principal num tempo antes deste terrível consenso neoliberal. O
neoliberalismo era só um movimento entre outros, não era ainda o regime europeu
que Soares sempre endossou, retórica à parte.
E ainda não vi o documentário na RTP da autoria de Ivan
Nunes e de Paulo Pena, de que já me falaram, sobre as eleições de 1986. Vou
agora ver, provavelmente com melancolia de esquerda.
Antes, porém, há que dizer e redizer, sem qualquer
melancolia: «com o povo, por Abril, por Portugal». Sim, muito obrigado, António
Filipe, por esta campanha imprescindível. Poder e razão não são sinónimos e
nunca esta distinção foi tão importante. Pode perder-se e ainda assim ter
razão, muitas razões.
Agora, vou votar no candidato que não se chama
Ventura. Pensarei em Cunhal e no meu pai. Não é difícil votar. Difícil foi
conquistar o sufrágio universal. E aí os comunistas foram, como sempre,
imprescindíveis.
A vida, a luta e a resistência não terminaram no
passado domingo, nem terminarão no dia 8. É papel dos democratas rejeitar
Ventura, mas a luta não se esgota aí. De facto, continua a ser imprescindível
derrotar o consenso neoliberal, desde logo tendo presente que rejeitar Ventura,
não é apoiar as ideias de Seguro.
A luta social terá de se intensificar e muito. Os
perigos para a democracia não se encontram apenas em Ventura, mas nos projetos
mais vastos de exploração, desde logo no pacote laboral. Sabemos quem continua
a ser imprescindível para derrotar tudo isso.»
O concreto, o real, coisas que me comovem.
É sobre os sentidos que
vivo debruçado.
Fácil o que a vista
enxerga.
O resto é-me vedado.
João
José Cochofel em 46º Aniversário
O homem só pode
completar-se com os outros. O homem só pode completar-se pela solidariedade. O
século vinte orgulha-se da maior descoberta da história humana, que tão
humildemente assino: a solidariedade.
Fiama Hasse Pais Brandão em Os Chapéus de Chuva
Legenda:
Maria Alzira Seixo, fotografia de Luís Ramos, Público.
Os
Doze Meses de Cozinha, comprado por 10 euros num vão de escada tem a
dedicatória de uma avó à sua neta:
«Oferta
da avó amiga com beijos de parabéns pelos teus 10 anos».
Factos:
A
neta preferiu não perder tempo a cozinhar.
Por
quanto «vendeu» a oferta da avó amiga?
Certamente
não terão sido pelos 10 euros que o velhote me pediu.
O
valor agora não importa, importa que alguns jovens pouco se ralam com o gosto
com que os amigos, os familiares lhes oferecem presentes.
Já
quando comprei o livro, olhei a dedicatória da avó, ficou-me uma tristeza
cinzenta que, sempre que pego no livro, me invade e perturba.
Contudo,
em certo tempo, estive a olhar o livro numa livraria, não lembro bem o preço,
mas rondava os 30/40 euros, mas havia outros livros importantes onde gastar os
cêntimos, e não mais pensei no assunto.
Mais
ou menos há uns 15 anos, num vão de escada na Rua Edith Cavel, que já não existe,
o livro estava por lá e custava 10 euros.
O
velhote, dono da loja, vendo-me a folhear o livro, logo me lançou que era um
bocado carote, mas valia a pena.
Sorri
para o simpático velhote e trouxe o livro.
São
440 páginas profusamente ilustradas, e tal como diz o título, são comidas e bebidas
para os 12 meses do ano, para além de capítulos tão úteis como a «Arte de Bem
Comprar», «Utensílios de Cozinha», «Como Congelar Alimentos» e um vasto
«Glosário».
A imagem do texto, é uma homenagem a Maria de Lourdes Modesto, autora do livro e uma lembrança: «Há uma ternurenta imagem desses tempos, o meu avô Mário, sentado no maple, manta nos joelhos, com o gato Trafaria, a ver o programa de culinária, a preto e branco, da Maria de Lourdes Modesto, e eu sentado ao lado.»
Maria de Lourdes
Modesto
Capa: Edmundo
Muge
Selecções Reader’s
Digest, Lisboa, Setembro de 1977
Janeiro
No que respeita a peixes, surgem as primeiras
lampreias, fatalmente caras, e, consequentemente, um produto de luxo.
Este mês oferece uma grande variedade de couves, o
leguma mais abundante durante o Inverno, Aparecem também as primeiras favas.
O bolo-rei é um doce tradicionaldo dia de Reis; é também costume distribuir nesse da pelos amigos e familiares 6 bagos de romã, que lhes garantirão dinheiro e saúde para todo o ano.
Pobre de quem procura e não encontra.
Infeliz de quem espera e não alcança.
Movem-se os olhos,
apuram-se os ouvidos,
e quando as mãos se agitam numa esperança
afundam-se nos bolsos e emudecem.
A máquina da
História, que fabrica
os dias do futuro
com a sucata das horas do presente,
alimenta-se de ecos, de palavras,
de vozes fátuas, de melífluos cantos,
do bafo morno das gargantas pródigas
em bordados, em rendas, em matizes.
Olho em redor
e vejo os homens todos separados
em grupos, cada um da sua cor.
São vermelhos, são verdes, são cinzentos,
alguns são amarelos como o oiro,
todos na mesma praça, aglomerados,
mas cada um voltado ao seu quadrante.
As vozes interferem-se,
e o conjunto
é um estentor de vozes,
de baixos, de barítonos, de tenores,
sopranos e contraltos.
Desço também à praça
e nela me diluo e me confundo.
E aqui estou. Por aqui deambulando,
ouvindo e observando
o próximo e o distante,
perscrutando,
tentando adivinhar o pensamento alheio,
olhos postos nos olhos,
procurando,
buscando aqueles cujas mentiras
mais se aproximam das minhas verdades.
António Gedeão de Novos Poemas Póstumos em Obra Completa
A
diabólica vaidade que o inunda, leva-o a considerar que o governo norueguês
contribuiu para o comité não ter atribuído o Nobel da Paz à sua ilustre figura.
O
ridículo já acontecia quando, há dias na Casa Branca, Corina ofereceu o diploma
que lhe foi atribuído.
Sorridente,
Trump disse: «Um gesto maravilhoso».
Esta é a carta de Trump em que declara ao mundo que «já não se sente obrigado a pensar apenas na paz.»
Caro
Jonas:
Dado que o seu país decidiu não me atribuir o Prémio Nobel da Paz por ter impedido oito guerras, e mais, já não me sinto obrigado a pensar apenas na paz, embora esta seja sempre predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos».
Também este domingo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, reafirmou a posição de Washington, afirmando numa entrevista ao canal NBC que os EUA querem mesmo adquirir o território. E foi mai longe, deixando mesmo no ar a possibilidade de os EUA deixarem de apoiar a Ucrânia caso os aliados da NATO se oponham.
Crítica. I
Livraria Latina
Editora, Porto, 1942
A crítica deve ser um sacerdócio, dizia eu. Podem
acusar-me do que quiserem. Creio que ninguém porá em dúvida, contudo, que a
crítica que procurei realizar durante três anos no DIÁRIO DE LISBOA não tenha
tido a gravidade de um sacerdócio. É certo que muito ficou por fazer. Mas o
melhor que havia para fazer e dizer não podia ser feito nem dito. Um jornal
exerce sobre os seus colaboradores uma censura mais pesada que nenhuma outra,
pois que não se baseia em doutrinas nem em finalidades de interesse colectivo,
senão apenas em «camaradagem» e «conveniências». Muito tive de sofrer por causa
desta falsa concepção de «camaradagem» e desta triste noção de «conveniências.
Apesar disto, algumas verdades pude dizer. Porque as disse, há em Portugal quem mo não perdoe.
Em busca de espaço para aconchegar os livros que vão
entrando e não encontram espaço na Biblioteca da Casa.
Caixas com caderninhos, guardanapos de papel dum
qualquer café, ou tasco, com palavras, algumas nem consegue decifrar… que
estavam por ali para um qualquer texto que quis escrever, ou emendar um qualquer outro…
Desviar caixas e pastas de arquivo.
Detesta deitar
coisas fora, mas terá que ser, terá que ser…
Soltas que agora vão ficando por aqui, que se juntarão a soltas do dia, do nosso quotidiano e do mundo que gira, gira em busca de um qualquer abismo.
1.
Anos 50.
Liceu Gil Vicente, professor Falcão Machado, aulas de
Ciências Naturais:
«Quem estuda não guardas cabras, há ruas para
calcetar, campos para cultivar…»
2.
Fecharam as tascas e abriram restaurantes para gente
fina, em busca de estrelas Michelin. Esqueceram que o dinheiro não falta apenas
aos pobres.
«Dezembro foi uma desgraça: os chefs em
Portugal estão a “trabalhar para pagar contas”».
Lembrar ainda quem disse e
agora o nome não lhe ocorre:
«Sou um óptimo garfo. Gosto de tudo quanto seja leve - feijoada, cozido à portuguesa... Só não como nouvelle cuisine. Detesto pagar para ter fome.»
3.
Está tudo nos livros
4.
Anemoia: nostalgia de um tempo no qual nunca se viveu.
O Dicionário de Morais, existente na Biblioteca da Casa que segue as
regras do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 10 de Agosto de 1945, não
contempla a palavra.
A Wikipédia elucida:
Anemoia é
um neologismo que descreve a nostalgia ou saudade de um tempo ou lugar que
a pessoa nunca viveu, como os anos 80 ou o século XIX, sentida através de
filmes, músicas e fotos, criando um sentimento de pertencimento a uma era
passada idealizada, uma fuga do presente, popularizado pelo The
Dictionary of Obscure Sorrows.
É uma melancolia por uma época que não faz
parte das suas próprias memórias, mas que você idealiza como mais simples ou
romântica.
5.
Disse Miguel Lobo Antunes:
«Deus é uma construção dos homens.»
6.
De um poema de José Miguel Silva:
«Custa-me dizê-lo, mas Descartes estava errado:
não há nada no mundo mais bem distribuído
do que a estupidez. O que nos leva, fatalmente,
à conclusão de que as catástrofes políticas
ocorrem por motivos puramente naturais.»
7.
«Nos últimos anos, em todas as eleições, a pergunta é a mesma: até que ponto
as forças que defendem o sistema democrático liberal vão aguentar a onda de
populismo radical que tem colocado em risco o espaço da tolerância, do diálogo,
da liberdade e do Estado de direito? Portugal voltou a responder positivamente,
mas, como é fácil de perceber pelo resultado desta primeira volta, é uma
resistência cada vez mais ameaçada.»
David Pontes, Público de 19 de
Janeiro
8.
«Eu não quero voltar ao
socialismo em Portugal", disse o líder do Chega, repetindo que "o
socialismo destrói", "o socialismo mata" e "o socialismo
corrompe".»
Leonardo Ralha, Diário de Notícias de 19 de
Janeiro
9.
Pelo
menos 3919 pessoas morreram no Irão durante os protestos antigovernamentais que
começaram no final de dezembro nas principais cidades iranianas, de acordo com
a última contagem divulgada pela organização não-governamental Human Rights
Activists News Agency.
Legenda: cena do filme What´s New Pussycat? De Clive e Donner, 1965, com Woody Allen e Romy Schneider.
para a Renata
esse outro
pássaro
Mais um dia
em forma de pássaro morto.
Uma amálgama ainda quente
da manhã que nasce, espécie de beleza
desmanchada a que nem o nosso olhar
consegue servir de pietà. O vento
teima em agitar uma ou outra pena,
mas não há golpe de asa que o arranque
agora ao asfalto negro.
Partilhamos, no fundo, a impotência:
o destino que o esmagou
é o mesmo que esperamos para
embarcar sem surpresas, sem direito a atrasos.
A essa indiferença cansada prefiro
a do outro pássaro que, lá muito em cima,
hoje ainda mais, refaz a traços negros
a vida. É por esses instantes
de voo que aceito continuar a perder.
Inês Dias em Resumo: a poesia em 2011
Passei o sábado de reflexão, quando chega o dia em que as autoridades acabam com esta idiotice, esta anormalidade?... e o domingo, depois de exercer o meu direito de voto, em limpezas, na (im)possibilidade de encontrar espaço para os livros que se amontoam um pouco por cada sala da casa.
Sabemos,
agora, quem irá à 2ª volta da eleição presidencial que ocorrerá a 8 de
Fevereiro.
1.
«O próximo Presidente
vai ter uma tarefa difícil.»
Marcelo
Rebelo de Sousa, na sexta-feira antes das eleições.
2.
«O PSD foi escolhido
para governar Portugal e não emitirá nenhuma indicação de voto para a segunda
volta.»
Luís
Montenegro
3.
Na
segunda volta a esquerda apoia António José Seguro.
4.
«A direita acordou, e é
hora de liderar a direita e juntar esforços para evitar um socialista em Belém.
É esta a batalha da segunda volta das eleições presidenciais.»
O
presidente «daquela coisa»
5.
Mantém-se os sérios riscos que pairam sobre a democracia portuguesa!
José
Saramago escreve:
«Morreu
o Fernando Assis Pacheco. A notícia abalou-me profundamente. Não éramos o que
se chama amigos, mas havia entre nós relações muito cordiais, de simpatia e
respeito mútuos, e a admiração que sentia por ele não a sinto por muitos.
Morreu daquele coração que desde há anos o vinha ameaçando. Morreu numa
livraria, provavelmente o lugar que ele próprio teria escolhido para quando
tivesse de sair da vida.»
O mesmo volume dos Cadernos, José Saramago volta a Fernando Assis Pacheco e estamos a 22 de Dezembro de 1995:
«Carmélia, que veio com
a mãe passar as festas connosco, trouxe-nos o último do Jornal de Letras,
dedicado, em parte, a Fernando Assis Pacheco. Leio os poemas dele que lá vêm,
inéditos, e irresistivelmente penso que Tolentino, se vivesse neste tempo,
teria por força de escrever assim. Espero que se encontrem muito mais inéditos
comos estes nos papéis que o Assis Pacheco deixou: há obras tão fecundas que
continuam a crescer depois da morte do seu autor. Veja-se este soneto, por
exemplo que só agora foi escrito:
O corpo mal talhado em
cujo abdómen
cresceu um aneurisma
durante anos
que por fim o condena à
cirurgia
vascular de emergência
transportado
com terror de sirenes
por dois homens
de bata branca amáveis
que procuram
tocar prà frente a dura
traquitana
𝘷𝘢𝘪 𝘷𝘦𝘳 𝘴𝘳. 𝘗𝘢𝘤𝘩𝘦𝘤𝘰 é 𝘴ó 𝘶𝘮 𝘴𝘶𝘴𝘵𝘰
chega a Santa Maria
gracejando
mas à vista da sala
fica mudo
onde o afeitam já
sumariamente
vinte minutos mais e o
ascensor
leva o pobre do corpo
até à faca
não pensa noutra coisa:
o seu enterro
Considerava-se
o maior dos poetas menores.
Antes
do resto, uma passagem pela pasta do Arquivo Cá da Casa sobre o O’ Neill.
Trata-se
de uma crítica de Eduardo Prado Coelho no Diário de Lisboa de 17 de
Abril de 1969, apresenta-se apenas um pormenor do recorte, sobre o livro de Ombrona Ombreira para que reparem no elogio do Eduardo ao O’ Neill, que entretanto
o crítico titulou como um «Livro Menor».
No
ano de 2024 Isabel Coutinho no Público pediu-nos para seguirmos O’ Neill
em tempo do seu centenário de nascimento ele que já nos deixara um poema para
que seguíssemos o cherne « desçamos ao
fundo do desejo atrás de muito mais que a fantasia e aceitemos, até, do cherne
um beijo.»
Isabel
Coutinho, no artigo do Público, lembra que nos dez anos da morte do
escritor, Vicente Jorge Silva garantia que «O’Neill é talvez o poeta
português moderno mais cruelmente injustiçado, mais esquecido e menos lido nos
anos que correm – ele que foi um dos maiores inventores de palavras, paradoxos,
trocadilhos e construções poéticas originais que este país deu à luz» e
nesse 21 de Agosto de 1996, quando morreu, também em Lisboa, Vicente Jorge
Silva rematava: «O’Neill é o nosso remorso deste Agosto, uma memória que não
é possível,deixar morrer, uma questão que Portugal tem consigo mesmo.»
E
Isabel Coutinho não deixa de lembrar Nora Mitrani, escritora búlgara que
pertenceu ao movimento surrealista francês e por quem O’Neill se apaixonou perdidamente
e para quem escreveu o poema Adeus Português, um dos mais belos poemas
da literatura portuguesa.
O’Neill
nunca mais viu Nora Mitrani.
De
França, ela convidou-o : «Vens, ficas cá e depois logo se vê».
Acontece
então que a família de O’Neill não quer que ele vá atrás da francesa, movimentando
conhecimentos junto da PIDE, pretendia que a polícia política não lhe
concedesse passaporte para viajar ao encontro de Nora Mitrani.
UM ADEUS PORTUGUÊS
Nos teus olhos
altamente perigosos
vigora agora o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
E avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta cama comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Não tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.
Notas:
O
título do post é tirado de uma antologia de poemas de Alezandre O’ Neill, organizada
por António Tabucchi.
«Sigamos o O’Neill!, no
ano do seu centenário» de Isabel Coutinho, Público 19 de Dezembro
de 2024.
«Alexandre O’Neill: Uma
Biografia Literária» Maria Antónia Oliveira.
O
poema Uma Vida de Cão é copiado de No Reino da Dinamarca.
O poema Um Adeus Português é copiado de No Reino da Dinamarca, que O’Neill dedica ao compositor Alain Oulman, que percorreu anos e anos para que O’ Neill escrevesse um poema para ele musicar e acabou por acontecer Gaivota.
Não
não é a poesia caixa de música
ou a poesia piolho místico enterrado no sebo destes dias
ou qualquer outra
que podem dissolver a tua alma
tão problemática
no vinho da beatitude
Ah
o «mistério» da poesia a poesia
técnica da confusão
a capelista poética e os primeiros fregueses
ainda a medo ainda receosos
de te pedirem a Dor em alfinetes que não tenhas
logo ali à mão
E quando dizes «Poesia»
eu tenho nojo
aquele nojo violento que me dá
o olhar furtivo a atenção desatenta
dos que se demoram nos lavabos nas salas dos cinemas
de mãos distraídas procurando
a solução da noite
Instalaram-se em ti
a mesma contracção suspeita
a mesma hipocrisia o mesmo sobressalto
a mesma curva obscena
que o olhar descreve
goza
e disfarça
Quando dizes «Poesia»
dizes medo
dizes família tradição classe
e a vida de cão que te esperava
e que é hoje a tua vida a tua «transcendente»
vida de cão
Ensinaram-te palavras
que pareciam
prontas a derrotar quem as ouvisse
ensinaram-te gestos para elas
e a tal ponto te humilharam
que te puseram de pé
limpo
inteligente
e aprumado
Pronto a seguir
seguiste
e agora estás aqui
estás aqui pois claro
angustiado e iludido
mas deliciado
Atá aos últimos arcanos
cafés e leitarias
seguiste André Breton
ou a sombra dele
e a aventura mental que procurava
um sinal exterior
um estilhaço vivo do acaso
a Nadja lisboeta que salvasse
ou a noite ou a vida
acabou em «bons» poemas «maus» poemas
em palavras e palavras
E coberto de palavras
enterrado
numa terra de murmúrios de gemidos
teu coração já nada faz mover
senão moinhos de palavras
e «a dor é grande» dizes tu
«mas sublime»
Mas não sou eu que te
lamento
Os teus mitos esperam-te
já impacientes
Agora põe-te a andar
agora passa por cá daqui a uns anos
Talvez me encontres
talvez possa fazer qualquer coisa por ti
qualquer coisa simples
quase inútil
quase ridícula
oferecer-te uma sílaba
um conselho
um cigarro
Alexandre O’Neill de Tempo de Fantasmas em No Reino da Dinamarca
Aborreço-me com a vida, na vida não! Quando há interesses – ou oiço música ou vejo filmes, ou leio, escrevo… – uma pessoa não se aborrece.
José-Augusto França
«É
menos perigoso sofreuma derrota do que ter medoi de a reconhecer, do que ter
medo de tirar dela todas as consequências, do que ter medo de tirar dela todas
as consequências… Não se deve ter medo de confessar os seus defeitos. É
necessário tirar de cada um todos os ensinamentos que comporta. Se admitirmos
que a confissão de uma derrota, tal como o abandono de uma posição, provoca nos
revolucionários desmoralização e enfraquecimento da energia na luta, é
necessário dizer que tais revolucionários não pretam para nada.»
Lembro-me
do meu pai, um marxista-leninista profundo, me dizer que era importante ler
Marx e Lénine.
De
Marx li algumas coisas, o mais importante?, João César Monteiro a dizer que
«Está tudo no Marx!» de Lénine fugazes flashs.
Apanho uma outra citação do Manuel António Pina em Crónica, Saudade da Literatura :
« Há 20 anos éramos esquerdistas, maoístas,
trotskistas, guevaristas, anarquistas; hoje somos todos neo-liberais e
post-modernos (enfim, quase todos…)
(…)
Estes tempos são tempos
de arrependidos de todos os géneros; Bob Dylan está cheio de dinheiro e usa
lentes de contacto; Regis Debray estuda Milton Friedman às escondidas, Não
transformámos o mundo nem mudámos a vida; a vida é que nos mudou a
todos (o «Che» morreu na Bolívia, baleado por um «ranger» anónimo; José Afonso
morreu de doença; e o Artur Queirós ganhou o Prémio Ibéria de Jornalismo). Foi
uma derrota sem glória pelo menos sem tanta glória como a derrota dos nossos
pais nas trincheiras de Valência, nos campos de Almeria, ou passando o
Ebro en un barquito de vela.
Os revolucionários,
mesmo os de café, são os cornudos da História; nós nem por isso. Os cafés
passaram a bancos e as namoradas com quem, de mãos dadas atravessámos os anos
da brasa sobre as barricadas do Quartier Latin ou nos jardins da Cidade Universitária,
são hoje professoras do liceu e assinantes do Círculo de Leitores.
Restam-nos alguns discos, alguns livros, algumas memórias. E nem temos uma história, uma grande história para contar aos filhos, porque os nossos filhos preferem as histórias dos campeões da Wall Street e emocionam-se mais com um «crash» da Bolsa do que com verduras românticas com «pavês», «slogans», ocupações selvagens. Elvis Presley, afinal, não era informador da CIA? João XXIII não tinha acções nas fábricas de material de guerra? Giap não tinha campos de concentração? Fidel não tinha Padilla a apodrecer numa cadeia?»
A
Biblioteca da Casa tem uma razoável quantidade de livros sobre a América
Latina, nem todos importantes, mas este livro do Debray é um excelente ponto de
discussão.
Havia
cafés, havia longas e quentes conversas sobre Fidel, o Che, havia o Carlos
Alberto, ao tempo, um especialista sobre o que se passava em toda a América
Latina, e começava, sempre, as conversas com um «o caso é o seguinte, ou seja…»
Hoje,
já não há cafés, muitos dos que se juntavam naquelas mesas, viajaram para
outras políticas, alguns já não estão entre nós.
Cuba
está prestes a ser tomada pelo amor ao dinheiro e poder de Trump, pela vingança
de Marco Rúbio, nascido em Miami, mas cujos pais saíram de Cuba quando Fidel
encerrou o quintal dos Estados Unidos e refugiaram-se na Flórida.
Agora
vou pensando que Cristo morreu, Marx também e eu próprio não me estou a sentir nada bem…
A Crítica das Armas
Régis Debray
Capa: Henrique
Ruivo
Colecção Temas Actuais nº4
Seara Nova,
Lisboa, Abril de 1977
Desde a Revolução Cubana até hoje, o que se travou na
América latina, com o nome de «guerra revolucionária», não foi uma «guerra do
povo» mas, em quase toda a parte, uma guerra de vanguarda. E não é escondendo
este facto que se ajudará a preencher o fosso que separa a primeira da segunda.
Não era esta, todavia a concepção de Fidel, nem a de
Che, nada mais que a sua experiência histórica. Pelo contrário: «Aqueles que
querem fazer uma guerrilha», escrevia o Che, na Guerra de Guerrilha, um Método,
«esquecendo a luta de massas, como se se tratasse de duas lutas contrárias,
devem ser criticados. Nós somos contra esta posição. A guerra de guerrilha é
uma guerra do povo, isto é, uma luta de massas. Pretender fazer a guerra de
guerrilha sem o apoio da população, é ir de encontro a um desastre inevitável.
A guerrilha é a vanguarda combatente do povo… apoiada na luta de massas dos
camponeses e dos operários da zona e de todo o território onde se encontra. Sem
estas condições, não se pode admitir a guerra de guerrilha».
Quero falar-te e o
coração, de comovido,
perde as palavras que juntara para ti.
Cantar-te sei e apenas isso faz sentido.
Menino d’oiro,
vem sentar-te aqui!
Menino d’oiro,
vem sentar-te aqui!
Por todo o ano é tempo
de cantar janeiras.
Mulher da erva, inda agora a vi passar.
Por mar profundo, terra e todas as fronteiras
venham mais cinco
mil p’ra te saudar.
Venham mais cinco
mil p’ra te saudar.
Pode o Sol morrer de
velho,
pode o gelo arder também,
mas a voz que de ti nasce
já não morre com ninguém.
No céu cinzento, o
astro mudo inda revela
um bater de asas, o disfarce do seu pé.
Bebem do sangue, comem tudo… olhai, cautela!
O que faz falta
já se sabe o que é.
O que faz falta
já se sabe o que é.
Junta-te a nós, ó
bairro negro! vem, falua,
p’la noite fora até que se erga o sol de Verão!
Solta as amarras, sopra, ó vento! continua,
que este homem não
se foi embora, não!
Que este homem não
se foi embora, não!
Pode o Sol morrer de
velho,
pode o gelo arder também,
mas a voz que de ti nasce
já não morre com ninguém.
Hélia Correia
Nos quatro anos de
casados nunca ninguém foi tão feliz: Orson chamava-lhe «angel girl», «queridíssima
bebé», dizia-lhe «és a minha vida, a minha verdadeira vida» ou «que o
sol ande mais depressa para eu poder voltar a ver-te» quando não estavam
juntos, e assinava «o teu rapaz».
Apetece ser assim,
lamechas, sentimental à «outrance»; afinal é tão breve a nossa vida breve.
Manuel
S. Fonseca na sua Página Negra.
Legenda:
Rita Hayworth e Orson Welles
América Latina
Miguel Angel
Asturias
Prefácio: Josué
de Castro
Tradução: Maria
Manuela Ferreira
Capa: Fernando
Felgueiras
Colecção Diálogo
nº 2
Publicações Dom
Quixote, Lisboa, Novembro de 1968
Como responder, tendo os pés no chão, a esses questionários jornalísticos, quando sabemos que nos Estados Unidos a média de vida de um homem é de sessenta e cinco anos, enquanto nos vinte países da América Latina só atinge trinta e cinco? As causas? Perguntem-nos, então. Ei-las: miséria, exploração, abandono, má alimentação, doenças tropicais, alcoolismo chichismo, paludismo, militarismo, mudanças obrigatórias de clima para os índios,etc.
«A apresentação do livro Por Dentro do Chega, do jornalista Miguel Carvalho, um trabalho de investigação sobre o funcionamento interno do partido da extrema-direita em Portugal, ficou acertada com a Câmara Municipal de Penacova (CMP) em Novembro de 2025, enquadrada no 2.º Festival Literário de Penacova.
Na segunda-feira,
Miguel Carvalho recebeu um email da autarquia anunciando o
cancelamento da sessão na CMP, «por instruções directas do presidente de
câmara, eleito pelo PSD» – Álvaro Coimbra, antigo jornalista da
Antena 1, RTP e do Jornal de Penacova (que fundou). O facto desta
decisão avançar por ordem de um presidente com muitos anos de
trabalho na comunicação social «diz muito sobre estes tempos», afirma o
autor.
Até ao momento, Álvaro
Coimbra ainda não justificou a sua decisão, nem ao Miguel Carvalho, nem à
comunicação social. Ao longo do dia de hoje, o AbrilAbril tentou falar em
diversas ocasiões com diferentes departamentos da Câmara Municipal de Penacova,
sem qualquer resposta.
Meio século depois
do 25 de Abril, «por cobardia ou acomodação face a estes tempos sombrios», uma
autarquia «entende voltar atrás num convite formulado há meses, sem qualquer
explicação». Miguel Carvalho considera que este foi, até ao
momento, o mais «grave episódio» de censura que o Por
Dentro do Chega experienciou desde o seu lançamento, mas não é único:
«outras autarquias, que me tinham convidado para determinadas sessões, também
recuaram para, e passo a citar, "não terem problemas". Tirem, pois,
as vossas conclusões. Quanto a mim, não me conhecem. Se pensam que me
silenciam, estão muito, mas muito enganados», garante o autor.»
Lido
aqui.
Até Junho, Portugal vai desembolsar 8,44 milhões de euros à União Europeia pela decisão de não receber refugiados requerentes de asilo de outros Estados-membros sob pressão migratória, como Espanha ou Grécia. A alternativa seria acolher 420 migrantes nessa situação.
O
ministro da Presidência, António Leitão Amaro, confirmou a decisão e
justificou-a com o facto de ter sido comunicado às instâncias europeias que as
"estruturas de acolhimento de receção e retorno" de pessoas que
chegam a Portugal sob asilo encontram-se "muito mais lotadas do que o
previsto", o que impossibilita a receção de mais casos. "Estamos
comprometidos com o mecanismo de solidariedade, mas não temos capacidade para
receber mais refugiados nas nossas instalações", explicou.
Feitas
as contas, Portugal, que optou se abster na votação final do diploma, vai
pagar cerca de 20 mil euros por cada pessoa que não receber no seu território,
fugindo à maioria dos países da UE, que escolheram abrir portas a refugiados.
Fonte: Jornal de Notícias
A meio desta vida
continua a ser
difícil, tão difícil
atravessar o medo, olhar de frente
a cegueira dos rostos debitando
palavras destinadas a morrer
no lume impaciente de outras bocas
anunciando o mel ou o vinho ou
o fel.
Calmamente sentado num sofá,
começas a entender, de vez em quando,
os condenados a prisão perpétua
entre as quatro paredes do espírito
e um esquife negro onde vão desfilando
imagens, só imagens
de canal em canal, sintonizadas
com toda a angústia e estupidez do mundo.
As pessoas - tu sabes - as pessoas são feitas
de vento
e deixam-se arrastar pela mais bela
respiração das sombras,
pela morte que repete os mesmos gestos
quando o crepúsculo fica a sós connosco
e a noite se redime com uma estrela
a prometer salvar-nos.
A meio desta vida os versos abrem
paisagens virtuais onde se perdem
as intenções que alguma vez tivemos,
o recorte obscuro de perfis
desenhados a fogo há muitos anos
numa alma forrada de espelhos
mas sempre tão vazia, sem abrigo
para corpo nenhum.
Fernando Pinto do Amaral
Após
os Estados Unidos lançarem ataques aéreos e uma operação na Venezuela que
resultou na prisão de Maduro, Corina Machado disse à Fox News que queria
partilhar o prémio com Trump em nome do povo venezuelano:
«O
que ele fez é histórico. É um passo enorme rumo a uma transição democrática.»
Questionado
se aceitaria partilhar o Prémio Nobel da Paz com Corina Machado, Trump, disse:
«Seria uma grande honra».
O
Instituto Nobel da Noruega esclareceu entretanto que María Corina Machado não
pode doar o Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, como afirmou ser sua
intenção, nem a qualquer outra pessoa.
«Uma
vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser revogado, transferido ou
partilhado com terceiros», afirmou o instituto.
«A decisão é final e irrevogável», acrescentou.
2.
Donald
Trump instou este domingo Cuba a "fazer um acordo" ou enfrentar as
consequências, alertando que o fluxo de petróleo e dinheiro venezuelanos será
interrompido.
O
presidente dos Estados Unidos tem voltado a sua atenção para Cuba desde que as
forças americanas prenderam o líder venezuelano Nicolás Maduro.
O
Departamento de Estado dos Estados Unidos recomendou este sábado aos cidadãos
norte-americanos para não viajarem para a Venezuela e aos que já se encontram
no país que "o abandonem imediatamente", devido a uma situação de
segurança considerada "instável".
"Há informações de que grupos de milícias armadas, conhecidos como
coletivos, estão a montar bloqueios nas estradas e a revistar veículos em busca
de provas de cidadania norte-americana ou de apoio aos Estados Unidos",
escreveu o Departamento de Estado.
3.
Com Donald Trump e os seus acólitos, preocupados com o que farão com a Gronelândia e um provável ataque militar norte-americano a Teerão para evitar o clima de terror, violência e morte que assola o país, o que se passa na Venezuela vai caindo num preocupante silêncio.
4.
«Donald Trump, apelou nesta terça-feira aos iranianos para que continuem a Públicoprotestar e afirmou, sem fornecer pormenores, que a ajuda está a caminho, uma indicação de que poderá ter posto de parte a pressão diplomática e optado por uma acção militar contra o regime de Teerão.
Numa altura em que o número de mortes causado pela repressão aos protestos, os maiores registados no país em três anos, poderá ascender aos milhares, Trump utilizou a sua plataforma favorita, a Truth Social, para dizer que cancelou todas as reuniões com o Governo iraniano até que acabe a “matança sem sentido” de manifestantes.»
Público