Quando
acabará a guerra que em 28 de Fevereiro Israel e os Estados Unidos iniciaram
com o propósito de "eliminar as ameaças iminentes do regime
iraniano"?
Nem
Netanyahu, nem Donald Trump informaram que iriam iniciar a guerra contra o Irão.
Donald
Trump não sabe quando terminará a guerra, está entalado e pediu a ajuda, com
ameaças à mistura para quem não o ajudar, para desbloquear o estreito de Ormuz.
Os
principais aliados dos Estados Unidos reagiram com cautela ao pedido de ajuda
de Donald Trump para garantir a segurança do tráfego marítimo no Estreito de
Ormuz, evitando comprometer-se com uma missão militar sem objetivos ou limites
claros que arrisca arrastá-los para uma guerra que não escolheram.
Mas…
A poucas horas de terminar o prazo do
ultimato lançado a Teerão para a abertura do estreito de Ormuz, o Presidente
dos Estados Unidos alegou que a sua Administração teve "conversas
produtivas com o Irão", tendo decidido adiar por cinco dias os
ataques contra infra-estruturas energéticas iranianas — período ao
longo do qual considera ser possível chegar a acordo com Teerão.
Segundo o Presidente
norte-americano, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner (seu genro)
estiveram no domingo reunidos com “um líder respeitado” do Irão, mas não
o ayatollah Mojtaba Khamenei. As negociações, acrescentou Trump,
devem continuar esta segunda-feira.
Trump admitiu aos
jornalistas que não podia revelar o nome da pessoa com quem está a
negociar. “Não quero que ele seja morto”, justificou, num aparente remoque
aos israelitas, que eliminaram várias figuras de topo da hierarquia iraniana.
"Tivemos conversas
muito, muito boas. Vamos ver onde elas nos levam. Temos pontos de acordo",
disse Trump. "Estamos diante de uma possibilidade real de fechar um
acordo".
O Irão
rapidamente desmentiu o chefe de Estado norte-americano e
garantiu que não estão em curso "comunicações directas ou indirectas"
com Washington. Reiterou também que atacará as "centrais de energia do
regime ocupante", bem como as infra-estruturas económicas, industriais e energéticas
utilizadas pelos norte-americanos, caso as centrais de energia iranianas sejam
atingidas.
1.
Segundo Pedro Adão e Silva no
Público, em apenas 12 meses, Trump fez o que alguns dos autocratas mais
proeminentes dos últimos 25 anos demoraram anos a conseguir.
2.
«Sem os EUA, a NATO é um tigre de
papel», escreveu Donald Trump numa publicação na sua Truth Social. O
Presidente norte-americano critica os aliados porque “não quiseram juntar-se à
luta para travar um Irão com capacidade nuclear" nem se disponibilizaram
para uma "simples manobra militar" para reabrir o estreito de
Ormuz, “tão fácil para eles, com tão pouco risco”.
“Agora que essa luta está militarmente
ganha, com muito pouco perigo para eles, queixam-se dos preços elevados do
petróleo que são obrigados a pagar, mas não querem ajudar a abrir o estreito de
Ormuz", lê-se ainda na mensagem. “Cobardes, e nós não nos vamos
esquecer!”, termina Trump.
Copia-se um comentário de um leitor (Zapata) do Público:
«Curioso... Trump pediu a vários países que o fossem ajudar a "desentupir" a navegação no Estreito de Ormuz. Só não pediu a Israel. Está mal. Foi Israel que nos meteu nesta embrulhada. E os iranianos têm um amor por israelitas que só visto. Quando o Xá fugiu para o estrangeiro, apareceram graffiti nas paredes a dizer "Não façam mal aos judeus. Mas se encontrarem israelitas podem matar." Alguns milhares de israelitas viviam que nem uns nababos no Irão (a aperfeiçoar, entre outras coisas, a SAVAK). A cena é contada num documentário israelita que passou no "Toda a Verdade" na 2a-feira, na SIC-Notícias.»
3.
«Não, o
Irão não é a Venezuela, mas Trump poderá ter sido levado a achar que era pelo
orgulho, pela vaidade e pela influência de Netanyahu, e mergulhou de cabeça
numa guerra cuja extensão terá calculado mal. E aqui entra o fecho do
estreito de Ormuz pelo Irão e as consequências generalizadas provocadas
pelo aumento do preço do petróleo que ameaça uma nova crise global pela qual os
EUA não passariam incólumes. Aparentemente, apenas a China e a Rússia poderão,
em tese, beneficiar num cenário destes, o que torna este cenário ainda mais
caricato.»
Do
editorial de Pedro Candeias no Público
4.
Não posso,
em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irão", disse Joseph Kent,
diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, na sua carta de demissão
entregue ao presidente Donald Trump e publicada no X . "O
Irão não representa uma ameaça iminente para a nossa nação, e é evidente que iniciámos esta guerra
devido à pressão de Israel e do seu poderoso lobby americano".
Donald Trump, pelo contrário, congratulou-se com a sua saída: “Ainda bem que ele
se foi embora. Ele disse que o Irão não era uma ameaça. Todos os países
reconhecem que o Irão é uma ameaça.” Na mesma declaração aos jornalistas, na
Sala Oval, o Presidente declarou que não conhecia “muito bem” Joe Kent e que
lhe parecia “um tipo porreiro”.