Os estranhos livros de Marguerite Duras.
As
longas e estranhas confissões de Duras.
Dois homens, uma mulher, um
desencontro. É o ponto de partida para uma história de amor terrível.
Memória infernal daquilo que não acontece.
«É a história de um amor, o maior e mais
terrível sobre que me foi dado escrever. Eu sei-o. Qualquer um pode ficar a
sabê-lo por si.
Trata-se de um amor que não é nomeado nos romances e que também não é nomeado
por aqueles que o vivem. De um sentimento que de certo modo não tem ainda o seu
vocabulário, os seus hábitos e rituais. Trata-se de um amor perdido. Perdido
como perdição.
Leiam o livro, leiam-no mesmo que de início o detestem. Já nada temos a perder,
nem eu dos leitores, nem os leitores de mim. Leiam tudo. Leiam todas as
distâncias que vos são indicadas, as dos corredores que rodeiam a história e a
acalmam e nos concedem o tempo de os percorrer. Continuem a ler e de súbito
terão atravessado a história, os seus risos, a sua agonia, os seus desertos.
Sinceramente vossa.»
Duras
Apresentação do livro feita pelo Público:
«Dois homens, uma mulher, um
desencontro. É o ponto de partida para uma história de amor terrível.
Memória infernal daquilo que não acontece.
Dizia Marguerite Duras: “Se
não houvesse nem mar nem amor, ninguém escreveria livros.” Ainda bem que os há
— porque, se tal não acontecesse, “Olhos Azuis, Cabelo Preto” deixaria de
existir e de ficar gravado na memória de quem o lê.
Publicada em 1986, dez anos antes da sua morte, é a segunda obra que Duras
produziu depois do êxito em torno de “O Amante”. E é um livro intenso,
misterioso, que encerra em si mesmo uma verdade pouco reproduzível em palavras,
de um amor que é e não é ao mesmo tempo. No final, permanece o mais absoluto de
todos os silêncios. Palavras, para quê?
Mas tentemos. Comecemos pelo princípio da narrativa. “Uma noite de Verão, diz o
actor, estaria no centro da história.” Uma jovem mulher, de “corpo longo e
flexível”, aguarda no átrio de um hotel de praia e, pouco depois, encontra-se
com um estrangeiro, igualmente alto e jovem, de olhos azuis e cabelo negro.
Simultaneamente, um outro homem observa a cena através de uma janela e, atraído
pela beleza do estrangeiro, não vê o rosto da figura feminina. Mais tarde, ao
cruzar-se com essa mulher num café perto do mar, ela já está só, mas o homem
ignora que se trata da jovem que estava com o estrangeiro. Este é o ponto de
partida do livro — uma cena de equívoco, de encontro e de desencontro, de
espera e de lágrimas.
Uma terrível história de amor. “Talvez o amor possa viver-se assim, de uma
maneira horrível.” Impossível, aterrador, apodera-se de tudo, além das forças,
além da vida, uma memória infernal daquilo que não acontece. Atravessa e
percorre aquele quarto onde tudo existe. Para se perder para sempre.
O resto é apenas literatura. E, como diria Jean-François Josselin, jornalista
do “Nouvel Observateur”, a literatura, em Marguerite Duras, é justamente tudo.»
Tal como a vida. A literatura é feita de
encontros.
«Uma noite de Verão, diz o actor, estaria no centro da história.»
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