Foi em Fevereiro que o comboio de depressões invadiu o país. Paula Sofia Luz, jornalista do Público, foi ver como tudo o que foi prometido no calor da tragédia, não está a andar nada bem.
«À medida que passa o tempo, milhares de
pessoas vão perdendo a esperança de receber apoios para reconstruir as casas.
Na freguesia mais afectada de Leiria, só duas pessoas entre 400 foram apoiadas.
Todos os dias Ermelinda Rainho volta a
casa. O cheiro a mofo inundou as divisões, do tecto caem continuamente pingos
de água, mesmo nos dias em que não chove. Acredita que “a placa está toda
encharcada, e é por isso que a humidade e o bolor começaram a aparecer”. O
telhado voou, foi completamente arrancado pelo vento na madrugada de 28 de
Janeiro, na fúria da depressão Kristin. Aos 69 anos, a mulher que se aposentou
prematuramente por questões de saúde, que até há pouco mais de um mês ali vivia
com uma filha, na aldeia de S. Miguel, Souto da Carpalhosa, Leiria, carrega
sobretudo falta de esperança.
“Ao princípio, nas primeiras semanas, a gente ainda pensava que isto se compunha. Que era uma questão de pôr o telhado. Mas depois comecei a perceber que não. Perdi mesmo a esperança... Começo a achar que não vamos receber nada”, diz ao PÚBLICO, enquanto procura no bolso da bata um lenço que lhe enxugue as lágrimas.»

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