Ladrões de Bicicletas
Luigi Bartolini
Tradução: José
Serra
Capa: JuSA
E-Primatur,
Lisboa Fevereiro de 2026
Viver não é mais do que recuperar o que se perdeu.
Pode-se recuperá-lo uma, duas, três vezes, como eu, que por duas vezes consegui
recuperar a bicicleta. Mas há-de vir uma terceira vez em que já não recuperarei
nada. O mesmo se diga, repito, da existência. É uma corrida para trás, até
finalmente perder tudo ou morrer. Uma corrida para trás desde a infância!
Sai-se da matriz e chora-se o cómodo leito perdido; o lactente, de olhos ainda
cerrados, já procura, tacteia, com o nariz cor de pétala rosa, no seio da mãe, o
doce e túrgido mamilo; depois, perdido o leite, procura a mão do pai para o
guiar nos primeiros passos. Procura-se demasiadas coisas antes de morrer. E eu
procurarei um rosto amigo e só encontrarei o rosto da Luciana, se o encontrar:
o que seria, para as minhas últimas dores, já morrer com o sol diante dos
olhos.

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